Pela primeira vez na história, o Porto de Vitória movimentou um navio com calado (profundidade) de 12 metros, segundo a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa). A operação aconteceu nesta quarta-feira (16) com a embarcação Nikkei Sirius, que deixou o porto capixaba rumo aos Estados Unidos carregando 49.009 toneladas de escória, um produto do segmento minero-siderúrgico.
Até então, o porto recebia navios com no máximo 10,67 metros de calado. Mesmo com o processo de dragagem e derrocagem, que levou anos e anos para acontecer e consumiu mais de R$ 120 milhões em recursos públicos, a movimentação era limitada porque não haviam sido concluídas as obras e os estudos que garantissem a segurança nas operações com navios de maior profundidade.
Com a finalização dessas obras, como a da sinalização náutica na Baía de Vitória, a Codesa iniciou o processo de testes, que foram divididos em três etapas. A primeira com quatro manobras experimentais de navios com calado de até 11,5 metros. A segunda com quatro manobras de embarcações com calado de 11,5 a 12 metros e a terceira com a profundidade variando entre 12 e 12,5 metros.
“Já fizemos a primeira fase e concluímos a segunda etapa nesta quarta-feira. Isso é emblemático. É a primeira vez na história do porto em que essa operação é possível. O resultado mostra que estamos cumprindo a promessa que fizemos ao assumir a gestão da Codesa. Finalmente, o porto vai capturar os benefícios da dragagem e da derrocagem, que já haviam sido feitas, mas ainda não eram utilizadas”, afirma o diretor de Operações e Infraestrutura da companhia, João Augusto Da Cunhalima.
Ele explica que os testes são importantes para avaliar se a manobra do navio na Baía de Vitória está acontecendo como foi previsto nas simulações. Se ela é realizada com segurança, e o comportamento da atividade na prática é semelhante ao que foi projetado no simulador, a manobra passa pela validação da Capitania dos Portos e então poderá ser liberada e feita regularmente.
Cunhalima lembra que a grande diferença não está no tamanho dos navios que vão operar no complexo portuário, mas na capacidade de carregamento que eles terão. Com a limitação do calado a 10,67 metros, algumas embarcações entram e saem do porto com um volume de cargas inferior ao que podem transportar. A expectativa é que, ao final do processo, haja um aumento de cerca de 15% na capacidade de movimentação do porto.
"A partir da utilização do novo calado, os navios vão poder transportar um volume maior de cargas e isso nos deixa mais competitivos, uma vez que há ganho de escala"
Apesar dos avanços, ainda é preciso que algumas etapas sejam cumpridas. Para o diretor, a expectativa é que o processo seja finalizado em aproximadamente seis meses. De acordo com ele, esse prazo vai depender do mercado, já que são os clientes que acessam o porto os responsáveis por definir a quantidade de carga que querem movimentar.
De qualquer modo, os avanços dos últimos meses mostram que o Porto de Vitória está no caminho de virar uma página, que por décadas ficou ancorada na ineficiência.