O governo do Estado vai lançar em setembro um programa para estimular as gestões municipais a prospectarem e captarem novos negócios para as suas cidades. A iniciativa vai acontecer em parceria com a Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes), segundo revelou o secretário de Inovação e Desenvolvimento, Tyago Hoffmann.
A ideia é que os prefeitos montem pequenas equipes, se planejem e passem a atuar de forma pró-ativa com o objetivo de ir atrás de empresas e investimentos que possam fortalecer as economias locais.
Hoffmann explica que hoje o governo estadual e algumas administrações municipais já fazem um trabalho nesse sentido, mas que a proposta é potencializar e levar técnicas e conhecimento para que todos os gestores tenham mais iniciativa e ferramentas para atraírem negócios.
"Nós não ficamos esperando as empresas chegarem até aqui. Vamos atrás delas. Em Linhares, o prefeito Guerino [Zanon] faz a mesma coisa. Mas o governador Renato Casagrande quer que todos os municípios tenham a capacidade, com duas a três pessoas, de fazerem prospecção ativa, observando as vocações regionais e as potencialidades de cada lugar"
A INSTABILIDADE POLÍTICA E A AMEAÇA ECONÔMICA
Se de um lado Hoffmann está animado com ações que apresentem o Espírito Santo como um lugar que oferece um bom ambiente de negócios, de outro lado, o secretário de Casagrande se mostrou apreensivo com o momento de instabilidade política e polarização vivido no Brasil. Para ele, o atual contexto ameaça a atração e a concretização de investimentos no país e consequentemente no Estado.
O secretário de Inovação e Desenvolvimento disse, ainda durante o evento da Rede Gazeta, que em uma recente reunião entre ele, integrantes da sua equipe - o subsecretário de Atração de Investimentos, Gabriel Feitosa, e a subsecretária de Competitividade, Rachel Freixo - e representantes de uma grande companhia, essa possibilidade de desistir do país ficou explícita.
"Nós estivemos com uma importante multinacional, que tem diversos investimentos no Brasil, e ela está dizendo que vai tirar os investimentos do país. Está se agarrando um pouco para fazer uma operação com a gente no Espírito Santo, mas tem chances de tirar."
A coluna questionou o nome da empresa que ele estava se referindo, Hoffmann, entretanto, disse não poder revelar. "O que posso te falar é que é uma empresa muito importante. Então, o país está flertando com perigo de perdermos empreendimentos consolidados. Não estou falando de uma empresa que chegou ontem no Brasil, mas de uma que está há décadas gerando emprego e trazendo riquezas para o país."