Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Planta de HBI

Projeto de fábrica da Vale no ES mais perto de sair do papel

Município de Anchieta, no Sul capixaba, tem grande potencial para receber o empreendimento

Publicado em 18 de Julho de 2020 às 05:00

Públicado em 

18 jul 2020 às 05:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Complexo da Vale: produção de pelotas de ferro
Complexo da Vale: produção de pelotas Crédito: Vale/Divulgação
No último dia 13, a Vale anunciou a intenção de criar juntamente com as gigantes japonesas Kobe Steel e Mitsui uma empresa, a NewVen. A ideia do novo negócio é fornecer produtos metálicos e siderúrgicos com um baixo teor de carbono, ou seja, que emitam menos gases poluentes na atmosfera.
A formação dessa companhia pode trazer desdobramentos importantes para um projeto que a mineradora brasileira estuda para o Estado: a fábrica de HBI (Hot Briquetted Iron), que é um produto à base de minério de ferro com maior valor agregado.
Como a coluna publicou em primeira mão em julho do ano passado, a Vale tem interesse de construir esse empreendimento em Anchieta, no Sul capixaba. O local é considerado superestratégico, já que está próximo à Samarco e à unidade de Tubarão, plantas que produzem as pelotas, matéria-prima para a fabricação do HBI.
Além disso, a região está bem posicionada logisticamente e tem grande oferta de gás natural, matriz energética essencial para viabilizar o negócio.
Há anos a Vale tem interesse em tocar esse projeto, mas o elevado custo do gás natural no país é o principal fator que trava o investimento. No Brasil, o preço desse combustível chega a ser três vezes superior do que o negociado internacionalmente.
Com as discussões do novo mercado de gás e o barateamento prometido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, o empreendimento voltou a ganhar fôlego. E, agora, a associação das três empresas reforça a estratégia para este negócio.
A Vale confirmou à coluna que está trabalhando para avançar no projeto do HBI e disse estar otimista quanto a atração de investidores para tirá-lo do papel. A mineradora não fala, entretanto, sobre o local escolhido.
"A Vale está sempre buscando alternativas para atender as demandas do mercado por produtos com baixa emissão de CO2, como é o caso do HBI, usado como insumo em fornos elétricos de siderúrgicas. Como maior produtor mundial de pelotas de minério de ferro, matéria-prima necessária para a produção de HBI, a Vale tem confiança que será possível atrair investidores para viabilizar esta indústria no Brasil"
Vale - Por meio de nota
Os estudos de engenharia estão sendo tocados para dar apoio à atração de investidores, mas a companhia destaca que a “condição para esta iniciativa é o barateamento do custo do gás”.
De acordo com uma fonte, no final do ano passado, a Vale finalizou a segunda fase do chamado FEL (Front End Loading), que é uma metodologia adotada por grandes companhias para analisar e gerenciar projetos. Ela segue agora para o FEL 3.
“Essa etapa e a tomada de decisão deve levar cerca de 18 meses. Então, estamos falando de algo mais concreto em meados do ano que vem. Mas vale observar que três parceiros deste tamanho não fazem um anúncio como o desta semana para não chegar a nada. Não tem ninguém amador. Eles já estão discutindo isso há dois anos. Se divulgaram essa empresa é porque estão na boca de fazer um anúncio mais concreto de projetos.”
Para um especialista do assunto, se o Brasil tivesse superado o destravamento do mercado de gás, a decisão já estaria tomada e ela seria favorável ao Espírito Santo. “O site de Anchieta seria praticamente imbatível na comparação com qualquer outro lugar do planeta. Porque temos no Estado o maior complexo pelotizador do mundo. Em Ubu, há o porto da Samarco, que é subutilizado. Essa é uma região demograficamente pouco adensada. Existe o projeto da ferrovia. Há o mineroduto licenciado operacional e existe grande oferta de gás. A questão é a viabilidade econômica. Esse é um projeto muito dependente da matriz energética.”
Planta da Samarco em Anchieta, cidade com potencial para receber a fábrica de HBI
Planta da Samarco em Anchieta, cidade com potencial para receber a fábrica de HBI Crédito: Samarco/Divulgação
Para se ter uma ideia de quanto uma indústria desse porte consome de energia, é só olhar para a planta da Vale em Tubarão, que é responsável por cerca de 70% de toda a energia consumida no Espírito Santo.

ESTRATÉGIA

A formação da NewVen é estratégica sob alguns pontos de vista. A questão ambiental é considerada um mote desse novo negócio e vai ao encontro das mudanças que a Vale vem buscando implementar.
Desde as tragédias com o rompimento das barragens em Mariana e Brumadinho, e especialmente depois que Eduardo Bartolomeo assumiu o comando da companhia, a mineradora está buscando aumentar margem e melhorar sua imagem quanto à responsabilidade ambiental.
Assim, ao evoluir nas tecnologias adotadas na cadeia metálica, com o HBI por exemplo, a Vale, juntamente com seus parceiros, agrega valor ao produto - que terá maior grau de pureza-, reduz a emissão de gases poluentes e diminui o custo de movimentação e logística de contaminantes, que no minério de ferro e nas pelotas são superiores aos do HBI. “É o famoso BBB, reúne o bom, o bonito e o barato”, brincou um executivo que conhece o projeto.
Outro ponto que a associação entre os conglomerados demonstra é o da Vale seguir com uma premissa que sempre adotou: a de não concorrer com os seus clientes.
“Verticalizar o processo poderia criar um mal-estar. Então, ao se associar a essas empresas, ela traz possíveis financiadores para o projeto e, no final das contas, tem um contrato de exclusividade no fornecimento dos seus produtos”, observou fonte da coluna.
Claramente a Vale e os parceiros japoneses estão com apetite para investir em tecnologias e projetos voltados para uma produção de aço com baixa emissão de carbono. O Espírito Santo pode ser a bola da vez. Mas de nada vai adiantar a oportunidade batendo à porta se o país não for capaz de se mobilizar para mudar o marco regulatório do gás natural.
Esse é um assunto que o governo federal diz estar entre as prioridades para a agenda pós-pandemia. É a equipe do presidente Jair Bolsonaro que deve liderar o tema, mas destravar o setor requer a mobilização conjunta de outros atores. Neste caso, o governo estadual e a bancada capixaba devem ser atuantes e protagonistas. Não há tempo a perder.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Maranhão e Carlinhos, do Vitória-ES
Recém-chegados brilham no fim, e Vitória-ES vence o Porto Vitória na estreia da Copa Espírito Santo
Imagem de destaque
O julgamento coletivo em El Salvador que reúne centenas de acusados de integrar a gangue MS-13
Deputado federal Sóstenes Cavalcante
PL deve apoiar PEC 6x1, mas quer novo regime de contratação e compensação

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados