O Supermercado Santo Antônio demitiu mais de 160 profissionais que atuavam na empresa em Guarapari e a informação que transmitiu aos funcionários ao anunciar os desligamentos foi de que a rede enfrenta dificuldades financeiras e não tem condições de arcar com as rescisões em dinheiro, “em espécie”.
O advogado da empresa Rafael Zouain foi quem fez o comunicado e explicou a situação do supermercado para os trabalhadores, que foram dispensados durante a manhã de terça-feira no centro de distribuição da rede. Em um vídeo gravado no local por um dos profissionais demitidos e enviado à coluna, o advogado diz que a solução que encontraram foi disponibilizar um imóvel do grupo para tentar homologar na Justiça as rescisões trabalhistas.
"A empresa hoje ela passa por uma dificuldade muita grande em termos de caixa principalmente, e os senhores já sabem disso. Então, a gente não vai ter como arcar com essas demissões em espécie, em dinheiro. Obviamente, que a gente vai pagar de uma outra forma. Qual foi a forma que a gente encontrou dentro das nossas possibilidades hoje? A gente vai ter que pagar isso com um bem. E aí a gente só faz essa operação via Justiça do Trabalho"
A demissão dos colaboradores aconteceu 13 dias depois de o Santo Antônio ter fechado três unidades da rede, duas no bairro Centro e uma em Muquiçaba. Na ocasião, a empresa informou que não pretendia realizar as dispensas e que buscaria negociações junto aos profissionais.
De acordo com as informações passadas por pessoas que foram demitidas e também conforme explicou o advogado na conversa com os profissionais, e registrada no vídeo, a rede ofereceu a possibilidade de os funcionários aderirem à Medida Provisória 936, criada em função da pandemia do coronavírus, que prevê a redução da jornada e salário ou suspensão do contrato de trabalho. Quem não optou por esse tipo de acordo foi desligado.
“A empresa não tem como manter, arcar com a estrutura parada, fora do contexto que a gente ofereceu inicialmente, que era o acordo da suspensão do contrato de trabalho. Sendo assim, eu hoje chamei os senhores aqui para comunicar que, infelizmente, a gente vai ter que proceder o desligamento. Não temos condição de manter a estrutura sem fazer as demissões. Somente naquela outra possibilidade”, justificou Zouain.
A coluna procurou o sindicato que representa a categoria, o Sindicomerciários, que informou que os profissionais devem buscar a entidade para tratar do assunto. O presidente Rodrigo Rocha também ponderou que as rescisões devem ser quitadas em dinheiro.
“É uma situação muito complicada. Porque as verbas rescisórias têm prevalência e devem ser pagas em dinheiro. Dessa forma, diante de toda a situação que a empresa se encontra, é ainda mais importante que os trabalhadores busquem o acompanhamento junto ao sindicato”, frisou ao observar que a entidade, por conta da pandemia do coronavírus, está funcionando com horário restrito, de segunda a sexta-feira, das 9 horas às 13 horas.
Procurado, o Supermercado Santo Antônio informou que não iria se manifestar.
EMPRESA CORTA 85% DO QUADRO DE PESSOAL
Em menos de cinco meses, o Supermercado Santo Antônio, que está no mercado capixaba há 54 anos, passou de uma rede com sete lojas para duas. Seu quadro de pessoal também foi reduzido significativamente desde o final de julho, quando houve a negociação de venda do supermercado. Eram cerca de 650 trabalhadores, e após as demissões desta terça-feira (5), continuam na empresa cerca de 100 profissionais, distribuídos nas lojas do Centro e da Praia do Morro, além do centro de distribuição.
A redução é de cerca de 85% no quadro de pessoal e faz com que a empresa, que foi por anos a maior empregadora do município de Guarapari, deixe esse posto para trás.
Como já relatado inúmeras vezes pela coluna neste espaço, desde meados do ano passado, quando aconteceu a venda frustrada para a DX Group Participações e Investimentos Eireli, do empresário Creso Suerdieck Dourado, a rede Santo Antônio, da família Zouain, vem enfrentando dificuldades.
O negócio foi vendido em julho, mas depois de instabilidades na gestão e do descumprimento do contrato, ele foi retomado em novembro. A partir daí, muitos problemas tornaram-se mais evidentes, como o acúmulo de dívidas milionárias junto a fornecedores, desabastecimento de mercadorias nas lojas, demissões, fechamento de unidades, além das muitas incertezas que continuam sobre o futuro do mais tradicional supermercado da Cidade-Saúde.