O Supermercado Santo Antônio demitiu nesta terça-feira (05) mais de 160 profissionais que atuavam na empresa em Guarapari. Os desligamentos acontecem 13 dias depois de a rede anunciar o fechamento de três unidades, conforme a coluna noticiou em primeira mão no dia 22 de abril.
Na ocasião, o grupo informou que as lojas teriam as atividades suspensas temporariamente, uma vez que passariam por reformas e reestruturações, e que inicialmente não previa demitir os funcionários. Uma fonte do Santo Antônio disse, à época, que era planejada “uma readequação de cargos e salários, de acordo com a realidade do varejo alimentar”.
A promessa da rede, entretanto, não foi cumprida. Profissionais que atuavam nas lojas do Centro e de Muquiçaba, além de colaboradores do centro de distribuição, foram comunicados nesta terça-feira sobre o encerramento dos contratos. Entre os demitidos há casos de pessoas que trabalhavam há quatro décadas na rede.
De acordo com relato de profissionais, a rescisão aconteceu de uma forma que deixou muitos decepcionados e indignados. “Foram demitidos funcionários com mais de 40 anos, e nem um obrigado receberam. Foi uma choradeira geral. Muita, mas muita indignação, pois avisaram ainda que não vão pagar o salário do mês passado”, contou um colaborador.
Uma outra fonte lembrou que além dessa situação, há casos de descumprimento dos acordos que foram feitos com trabalhadores que haviam sido demitidos há mais tempo, e também de débitos da empresa em relação ao pagamento do FGTS e do INSS. “Quem continua trabalhando, até o vale-transporte ainda não recebeu, pois o supermercado não pagou a companhia.”
Procurado, o Supermercado Santo Antônio informou que não iria se manifestar.
“TRABALHADORES DEVEM BUSCAR AJUDA”, DIZ SINDICATO
O Sindicomerciários, entidade que representa a categoria, orientou que os profissionais que foram demitidos devem procurar a entidade. De acordo com o presidente do sindicato, Rodrigo Rocha, como já há um histórico de descumprimento do acordo que foi feito há alguns meses, e pela difícil situação financeira que a empresa se encontra, o acompanhamento pela organização sindical é ainda mais importante.
De acordo com Rocha, a partir da próxima semana, estão previstas 40 audiências sobre os acordos que não estão sendo cumpridos. “Foram pagas apenas duas parcelas aos profissionais. As demais estão em atraso.” Sobre as irregularidades relacionadas ao FGTS e ao INSS, o presidente do Sindicomerciários explica que a entidade ainda não recebeu oficialmente as denúncias.
Ele reforça que o caminho é procurar o auxílio do sindicato e observa que a entidade, por conta do coronavírus, está funcionando de segunda a sexta-feira, das 9 horas às 13 horas.