O que diz a Codesa:
"A sociedade brasileira já não possui tolerância com algumas poucas entidades sindicais que, se apoderando do discurso do interesse público, pretendem, na verdade, legitimar interesses privados. É a desgastada prática de se pleitear benefícios, colocando a conta no colo da sociedade.
A diretoria da Codesa ofertou à categoria dos Guardas Portuários quase 7% de reajuste salarial, com pagamento de valores retroativos a janeiro de 2020, num momento em que as famílias capixabas vivem a aflição de não saber se sequer poderão pagar as suas contas ao final do mês.
A categoria dos Guardas Portuários recebeu, ainda, a proposta de reajuste do auxílio-alimentação, auxílio-educação, auxílio-babá, auxílio-creche e auxílio-funeral. Ofertou-se, além disso, plano de saúde, seguro de vida, manutenção de auxílio cultura, adicional por tempo de serviço, empréstimo sem cobrança de juros, além de remuneração de horas extras, horas noturnas e adicional de férias em patamares substancialmente superiores aos previstos em lei, apenas para mencionar alguns exemplos.
Proposta idêntica foi ofertada e aceita pelos demais trabalhadores da Codesa, que não são Guardas Portuários, numa negociação respeitosa com o Suport-ES.
Mas a Diretoria do Sindguapor, diferentemente, acha que os benefícios são poucos. Exige, além de tudo, a adoção de uma escala de trabalho que foi proibida pelo Tribunal de Contas da União e que gera prejuízos na ordem de 3 milhões por ano para a sociedade capixaba e brasileira. Mas esta Diretoria da Codesa não transige com atos ilegais e não colocará a sociedade como refém do interesse corporativo do Sindguapor".
O que diz o Sindguapor:
“Nós decidimos que vamos levar o Acordo de Trabalho Coletivo para dissídio e que vamos marcar uma nova assembleia para tomar outras providências, como a possibilidade de greve.
A empresa quer nos impor e nos obrigar a aceitar trabalhar 36 horas a mais por mês sem que a categoria receba qualquer valor a mais por isso. Além disso, ela nos coloca essa imposição e ameaça tirar benefícios como tíquete e outros auxílios, justo neste momento de pandemia do coronavírus. Então, não nos resta outra opção que não seja a discussão de uma possível greve.
Há anos trabalhamos nessa escala, que é a escala trabalhada por outras equipes da Codesa. A mesma categoria, inclusive, tem agentes que trabalham com essa escala de 144 horas mensais, e o concurso de 2015 prevê a mesma carga horária. Mas há profissionais que assumiram anteriormente e, no edital, havia uma falha da Codesa porque não trazia a quantidade de horas, então, os profissionais seguiram as 144 horas que eram trabalhadas há 30 anos no porto.
Aproveitando essa abertura, a Codesa quer nos impor as horas a mais e de maneira arbitrária diz que, se não aceitarmos, perderemos todos os nossos benefícios.
Muitos chefes de família estão sofrendo com esse movimento. Como funcionários, entendemos que deve haver sacrifícios, mas a categoria já cedeu em vários pontos do acordo coletivo. O problema é que aos 48 do segundo tempo tivemos uma imposição unilateral que nos pegou de surpresa. Não concordamos que a empresa tenha essa postura em um momento tão grave de crise quanto o que estamos vivendo."