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Eficiência

"Transporte e logística têm papel essencial no desenvolvimento", diz Findes

Federação das Indústrias do Espírito Santo traz sua visão sobre o papel da infraestrutura. Entidade se posicionou depois da coluna publicar conteúdo sobre os bastidores da construção de ferrovia no Estado

Publicado em 30 de Dezembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

30 dez 2020 às 04:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Ferrovia: construção de mais ramais ferroviários no ES é considerada determinante para atração de novas empresas
Ferrovia: construção de mais ramais ferroviários no ES é considerada determinante para atração de novas empresas Crédito: Analogicus/Pixabay
No último dia 21, a coluna trouxe um conteúdo sobre bastidores do processo que envolve a renovação antecipada, pela Vale, da concessão da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e os seus desdobramentos, como a construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) e de um ramal ferroviário até o Sul capixaba. 
O texto gerou grande debate entre lideranças públicas e privadas do Estado e a coluna foi procurada pela Federação das Indústrias  (Findes), que pediu para se posicionar em relação ao tema. A organização discordou de abordagens feitas neste espaço e enviou uma nota que, em linhas gerais, defende o transporte e a logística como essenciais para o desenvolvimento. 
A coluna abre o espaço de hoje para a Findes continuar com esse debate, mas reforça que em momento algum foi ou é contra ao desenvolvimento da infraestrutura como caminho para o crescimento e para o ganho de competitividade do Espírito Santo ou de qualquer região. Antes de trazer as observações da federação, entretanto, faço um breve resgate do conteúdo publicado na semana passada.
No texto sobre os bastidores da ferrovia, foram elencados quatro pontos principais a partir da apuração junto a fontes que acompanham o tema há anos. O ponto 1 abordou a avaliação, feita pelo governo federal,  para não exigir que a Vale fizesse os investimentos na própria EFVM, como contrapartida pela antecipação do contrato, uma vez que o entendimento da equipe do Ministério da Infraestrutura é de que a Vitória a Minas está com a capacidade de cargas ociosa e não precisa, no atual cenário, de grandes volumes de recursos.  
O ponto 2 explica que a União não quis pegar o dinheiro da outorga e colocar no caixa do Tesouro. Preferiu condicionar o pagamento da Vale (ou pelo menos parte dele)  pela renovação antecipada por meio do chamado investimento cruzado, com a viabilização da Fico. 
Já o terceiro tópico discorre sobre o motivo pelo qual o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e sua equipe optaram pela construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) como condição principal à renovação da concessão da EFVM. Nesse ponto, a coluna trouxe informações, colhidas junto a fontes, sobre quais eram as justificativas do governo federal para não priorizar a construção da EF 118, que tem um traçado até o Sul do Estado. Uma delas era de que Tarcísio não queria implantar a ferrovia até um local, no caso Presidente Kennedy, que ainda não conta com infraestrutura portuária para escoar a produção, ainda que exista o projeto do Porto Central.
O último ponto, por sua vez, abordou como algumas ações de atores públicos e privados do Espírito Santo não estavam alinhadas com o que Tarcísio de Freitas e sua equipe esperavam, o que causou algum desgaste e pode ter influenciado, ainda que em menor grau, algumas das decisões vindas de Brasília.  Ou seja, por meio desses quatro tópicos, a coluna buscou apresentar as motivações da União para priorizar o investimento na Fico e não na EF 118.
Alguns dias após a publicação do conteúdo, a presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Cris Samorini, entrou em contato com a coluna dizendo discordar da abordagem que foi trazida neste espaço. Especialmente no que se refere ao ponto 3. Em um dos trechos desse tópico uma fonte explicava que o Espírito Santo precisa atrair mais empresas e cargas para  que o governo federal priorize os investimentos por aqui. 
Cris Samorini, presidente da Findes, citou alguns dos investimentos previstos para o segmento industrial no ES
Cris Samorini é presidente da Findes, Crédito: Hélio Filho/Secom
“Não existe pressão de carga no Espírito Santo. Tanto é que vemos ferrovias e portos ociosos. Por isso, se olharmos para todo esse contexto sem tomar as dores do Espírito Santo, vamos chegar à conclusão que o Ministério da Infraestrutura está sendo muito técnico nas decisões. Mas é inegável que uma ferrovia, rodovias e outros tipos de infraestrutura são vetores de desenvolvimento. Muito mais gente vai pensar em se instalar em um local que ofereça condições logísticas mais favoráveis. Só que volto a dizer: em um país que precisa dar vazão ao agro, a escolha pela Fico foi lógica", analisou a fonte na publicação do dia 21. 
Cris Samorini discorda da visão que norteou a decisão do governo federal. Para ela e sua equipe, é preciso estimular o desenvolvimento da infraestrutura para então atrair mais indústrias e, consequentemente, movimentar mais cargas. 
"Transporte é essencial ao nosso projeto de desenvolvimento. Tenho convivido com muitos especialistas em logística, empresários que acreditam no Espírito Santo e que estão investindo fortemente nesse sentido. E todo conhecedor de logística sabe que transporte é de fato essencial a qualquer projeto de desenvolvimento! Isso é básico. Qualquer um que discuta logística tem que saber disso. O que a Findes está construindo é um projeto de desenvolvimento junto com o governo e a sociedade capixaba. Nesse projeto de desenvolvimento, o transporte e a logística têm um papel essencial", reforçou por meio de nota.
A industrial citou Vale,  ArcelorMittal Tubarão, Suzano e Samarco como exemplos de empresas competitivas em função da infraestrutura que têm à disposição. Ela defendeu ainda que outras indústrias precisam de uma logística eficiente, a exemplo das que fazem parte de segmentos como: rochas ornamentais, frutas, café e cerâmica.
"Todo esse conjunto hoje tem estado dependente de uma logística ineficiente, que leva nossas cargas a um alto custo para outros Estados, ou seja, o escoamento da nossa produção, mesmo com o Espírito Santo estando no local mais estratégico do litoral brasileiro, tem se dado por outros Estados, com uma logística com altos custos para quem produz no ES ou em suas áreas de influência"
Cris Samorini - Presidente da Findes
Na nota produzida pela Findes são abordados seis pontos, que podem ser conferidos na íntegra ao final deste texto.  Ao longo do posicionamento, a federação traz ponderações sobre a importância do estímulo à infraestrutura e como o Estado deve se preparar para atrair mais negócios e conseguir crescer.  
A coluna reitera que em momento algum foi contrária ao desenvolvimento da infraestrutura no Estado. Aliás, este é um tema que frequentemente é trabalhado e estimulado ao debate neste espaço. O que a coluna fez foi trazer olhares sob uma perspectiva da avaliação federal sobre o caso envolvendo a construção da ferrovia. O que não quer dizer que os nossos gargalos logísticos não existam e que não precisam ser superados.

O que diz a Findes:

1. O título da reportagem fala dos “Bastidores da Construção da Ferrovia no ES”. Nesse contexto, entendo que deveria dizer que os bastidores trazem interesses próprios. Que o interesse da Findes é trazer luz à discussão. Somente dando holofote nas discussões técnicas é que vamos ter clareza das oportunidades e dificuldades existentes para o desenvolvimento do Espírito Santo.  

2. Transporte é essencial ao nosso projeto de desenvolvimento. Tenho convivido com muitos especialistas em logística, empresários que acreditam no Espírito Santo e que estão investindo fortemente nesse sentido. E todo conhecedor de logística sabe que transporte é de fato essencial a qualquer projeto de desenvolvimento! Isso é básico. Qualquer um que discuta logística tem que saber disso. O que a Findes está construindo é um projeto de desenvolvimento junto com o governo e a sociedade capixaba. Nesse projeto de desenvolvimento, o transporte e a logística têm um papel essencial.

Todo o histórico de desenvolvimento do Espírito Santo está pautado nas suas ações proativas, o que envolve dotar o Estado de uma logística competitiva
• O desenvolvimento da Vale ocorreu pela construção de uma ferrovia e de um porto (Porto de Tubarão).
• A Suzano é competitiva porque tem uma logística ferroviária e um Porto (Portocel).
• A Arcelor é competitiva porque tem uma logística ferroviária e um Porto (Praia Mole).
• A Samarco se desenvolveu no estado porque tem uma logística dutoviária e um Porto (Porto de Ubu).  

Outras indústrias precisam de uma logística eficiente. Temos um potencial enorme em um conjunto muito grande de outros produtos, como as rochas ornamentais, as frutas, o café, a cerâmica, a indústria de metais, a indústria de inovação, e por aí vai. Todo esse conjunto hoje tem estado depende de uma logística ineficiente que leva nossas cargas a um alto custo para outros estados, ou seja, o escoamento da nossa produção mesmo com o Espírito Santo estando no local mais estratégico do litoral brasileiro tem se dado por outros estados, com uma logística com altos custos para quem produz no estado ou em suas áreas de influência. 

 3. O argumento internacional também é importante. Temos um potencial gigantesco para atingir mercados no exterior. Várias indústrias do Estado já demonstraram isso. Existem modelos no Brasil para desenvolvimento de ambientes adequados de produção para exportação, como as Zonas de Processamento de Exportação – ZPE. O volume enorme do mercado exterior abre portas para uma produção industrial em larga escala, o que traz oportunidade para a pesquisa, a inovação no Estado, trazendo o jovem para o campo da ciência e do desenvolvimento de empregos de alta qualidade e tecnologia. Porém, a instalação de indústrias em ZPE também depende de uma logística eficiente.

4. Estamos no caminho para criar o ambiente logístico que precisamos para o desenvolvimento industrial. Já construímos um plano conjunto com Minas Gerais. Iniciamos a construção de planos conjuntos com Goiás e Mato Grosso. Vamos continuar nossas discussões com o Estado do Rio de Janeiro. Estamos no caminho da construção! Queremos trazer luz ao debate, mostrando que o Espírito Santo é o melhor lugar para se investir no Brasil.
Recentemente, fomos provocados que o ES o melhor lugar para se investir no setor de Petróleo e Gás. Esse setor também precisa de uma infraestrutura logística eficiente, com dutovias, ferrovias, portos. Vamos usar o máximo da capacidade da infraestrutura existente e implantar as novas infraestruturas, quebrando gargalos e conquistando o máximo dessa capacidade.

5. A Findes deu início a um conjunto de estudos ferroviários de altíssimo nível e qualidade. O primeiro de 5 cenários que estão sendo estudados já demonstrou que o Corredor Centro-Leste está limitado em uma capacidade de 10 milhões de toneladas de carga (exceto o minério na Vitória a Minas). Essa falta de capacidade está identificada no trecho da Serra do Tigre, por onde passa a Ferrovia Centro-Atlântica - FCA. O gargalo, até a pouco tempo atrás, também estava identificado na capacidade dos portos do Espírito Santo.
Nesse sentido, o governo federal já percebeu a necessidade de destravar portos e já deu início ao processo de maior participação privada nos portos administrados pela Codesa, Porto de Vitória e Porto de Barra do Riacho.
O primeiro cenário dos 5 iniciais que estamos estudando demonstrou que temos potencial para movimentar cerca de 45 milhões de toneladas nesse corredor ferroviário, hoje limitado a 10 milhões de toneladas. Nossa ferrovia é quase que totalmente dedicada a uma carga só.
Precisamos expandir. Ou seja, ficamos muitos anos com gargalos portuários por conta da inviabilidade criada pelos gargalos ferroviários e rodoviários. Com essa inviabilidade sistêmica que se estabeleceu na nossa logística, temos perdido indústrias para outros Estados.
Neste momento, empresários que acreditam no potencial do Espírito Santo estão quebrando essa corrente!!! Temos investimentos já decididos e certos no setor portuário que vão destravar a capacidade portuária. Dois exemplos são o Porto da Imetame e o Porto de Barra do Riacho, que entra na privatização da Codesa. Essa ação empreendedora do setor portuário traz luz aos gargalos ferroviários que agora precisamos trabalhar para destravar. 
A indústria irá se instalar, como já se instalou no passado, quando nossos planos de desenvolvimento trabalhavam conjuntamente com a infraestrutura necessária a esse desenvolvimento. Temos a melhor condição fiscal de todos os Estados do Brasil. Temos uma condição política estável. Temos empresários dedicados e com altíssima capacidade. Temos o melhor ambiente de negócios e precisamos de uma logística condizente com esse cenário. 

 6. Temos argumentos técnicos claros e comprovados do potencial logístico do Arco Leste e do Espírito Santo como infraestrutura portuária para o desenvolvimento produtivo. A dúvida sobre a viabilidade do desenvolvimento do Espírito Santo só serve a outros interesses contrários ao do próprio Espírito Santo. É chegada a hora de termos certezas! A Ação do Espírito Santo não pode mais ser retórica, ela tem que ser efetiva e prática na busca de soluções e não de dúvidas.

Posicionamento

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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