Quem viu cenas do holodeck em "Star Trek", ou filmes como "Blade Runner", "Matrix", "Avatar", entre outros, deve lembrar a ambiência futurista das narrativas em que seres do mundo real interagem no mundo virtual, transitando de um lado para o outro, na maior displicência. Pois aquela imersão em universos tecnológicos, capazes de simular cenas em que qualquer fantasia se torna real, agora está próxima de se transformar em uma coisa banal do dia a dia de todo e qualquer habitante da Terra.
Vem aí o futuro comum, para além da internet: o metaverso. Pelo menos é o que prenunciam as ações atuais de Zuckerberg, o criador do Facebook , e de outros interessados.
Mas, afinal, o que é metaverso? O termo aparece em 1992, em "Snow Crash", de Neal Stephenson, um clássico cyberpunk da literatura. No livro, o metaverso é um mundo virtual, onde o protagonista, Hiro, um rapaz que não passa de mero entregador de drogas a serviço de um traficante, se transforma em um hacker samurai poderoso.
Nos dias de hoje, o metaverso existe como um universo digital coletivo. Um espaço amplo e operante, bem mais que uma rede social. Quem quer que nele entre não precisa fazer uso de digitação em computadores, nem de tablets, nem de smartphones. Basta assumir a condição de avatar e fazer uso de dispositivos, como óculos específicos e outros aparatos da realidade virtual. Uma vez imerso no ciberespaço, pode compartilhar suas experiências e interagir com outros avatares que estejam por lá.
Vocês lembram aquela febre virtual do "Second Life"? Parece que a pandemia da Covid-19, obrigando as pessoas à prática caseira dos trabalhos e das atividades, reacendeu a mania de viver uma segunda vida de forma bem mais fantasiosa. Imaginem-se no universo surreal do metaverso, a trocar abraços e beijinhos com alguém, com a mesma sensação de presença física que tem no mundo natural, entre coisas e lugares reais. Ou passar por uma loja no shopping e seu avatar receber os dados de um produto de seu interesse que está dentro dela. Não é fascinante? Pode até parecer devaneio. Mas não é. É a interação perfeita, em que os limites entre virtualidade e realidade se apagam.
Mas há sempre um senão, em todas as maravilhas. Essa tecnologia tão poderosa e avançada pode causar uma revolução em nossos costumes, mas pode também trazer muitos problemas, ameaças e perigos. Pois, por vezes, a astúcia do capitalismo e a maldade das criaturas humanas se aproveitam das vantagens da tecnologia de ponta com ações traiçoeiras, que ultrapassam muito as vantagens de suas benesses.