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Cozinha intuitiva da Bia

Como o lugar e o momento podem transformar uma experiência gastronômica

Os melhores pratos não dependem, exatamente, de viagens e de restaurantes, mas de uma sintonia entre ocasião, local, companhia, ambiente e sabor

Publicado em 01 de Julho de 2020 às 13:00

Públicado em 

01 jul 2020 às 13:00
Bia Brunow

Colunista

Bia Brunow

biabrunow@gmail.com

Cheeseburger do Burger Joint, em Nova York
Cheeseburger do Burger Joint, em Nova York Crédito: Burger Joint NY/Instagram
Nestes dias de quarentena, tenho viajado pelas lembranças registradas desde 2012 em meu Instagram. Tenho passeado principalmente pelas fotos de viagens que fiz naquele período. Meus posts me fizeram pensar sobre como as memórias gastronômicas são construídas. Afinal, o melhor prato da sua vida é o melhor só pelo sabor?
Nova York é o meu lugar preferido no mundo. Acontece que, contrariando os tradicionais guias turísticos, não visitei o memorial das Torres Gêmeas ou sequer vi a Estátua da Liberdade (provavelmente avistei de algum táxi, mas estava meio bêbada para lembrar). Viajar, para mim, é comer, beber e voltar de madrugada para o apartamento mais barato que consegui alugar. Não à toa, coleciono uma boa lista de histórias gastronômicas e memórias afetivas dessas viagens.

PERDIDOS EM NY

Em uma das minhas visitas a NY, nesse looping de acordar tarde, comer, beber, ir pro rolê e voltar, eu e meu marido, Renato, decidimos “tomar café” na famosa Burger Joint, uma hamburgueria escondida em um hall de hotel em Manhattan. Vagamos pela rua totalmente perdidos. A coisa toda costumava ser bem underground mesmo, não tinha placa, nem nada indicando.
Já pensávamos em desistir quando um recepcionista perguntou se estávamos procurando pelo “BJ”. Claramente não éramos os primeiros viajantes perdidos naquele lugar.
Renato Costa e Bia Brunow em viagem a Nova York
Crédito: Arquivo pessoal
Entramos. O hotel era de classe, mas parecia ter sido construído em cima da lanchonete. Seguimos até uma portinha com uma fila razoável para o horário não convencional. A maior parte, jovens locais que provavelmente trabalhavam por ali. Nada de turistas.
Lugar bagunçado, paredes com anos e anos de histórias em assinaturas de clientes, luzes baixas e um mini balcão-cozinha, de onde saiam os pedidos. No cardápio, duas opções: hambúrguer simples com salada ou cheeseburger. Adicional de batatas, no máximo. “É isso?” pensamos.
Sentamos em uma mesa de canto e demos a primeira mordida no melhor hambúrguer que havíamos comido nas nossas vidas. Pão, carne, queijo, alface, tomate, cebola roxa, picles, maionese, catchup. Como era possível?
Bia Brunow em visita à hamburgueria Burger Joint, em Nova York
Crédito: Arquivo pessoal
Anos depois, em uma viagem a São Paulo, enquanto olhava uma promoção da Forever 21, avistei, de canto de olho, um letreiro de uma lanchonete chamada Burger Joint. Olhei mais de perto e, realmente, o local tentava, de uma forma nada orgânica, reproduzir a atmosfera da birosca nova-iorquina que havíamos visitado.
Pesquisei um pouco e, de fato, tratava-se de uma filial. O cardápio já era um pouco mais extenso que o original, e os preços mais altos. Pedimos o mesmo cheeseburguer com fritas de anos atrás. Os ingredientes eram os mesmos, a embalagem era a mesma, mas o hambúrguer não lembrava nem de longe o que havia sido o melhor das nossas vidas.

INESQUECÍVEL

Tudo bem, não tem como ser a mesma carne, o mesmo tomate, os mesmos sabores. É muito mais do que isso. O melhor hambúrguer que já havíamos comido era temperado com uma certa dose de aventura.
Uma cidade nova pra gente, uma confusão, uma expectativa, uma memória. Não era sobre carne e queijo, mas sobre uma sensação de pertencimento, de estarmos vivendo um momento que não seria esquecido.
Viajei o bastante para acumular boas memórias, mas menos do que eu gostaria. Sinto falta dessas experiências. Quero que passe essa quarentena e que eu possa voltar a passear por aí.
Mas os melhores pratos não dependem, exatamente, de viagens e de restaurantes. É um olhar diferente. Uma sintonia inexplicável entre momento, local, companhia, ambiente e sabor. É o contexto. Então, arrume a mesa, capriche no tempero e aproveite para criar boas memórias dentro de casa, já sonhando com a próxima viagem.
Acompanhe a colunista também no Instagram.

Bia Brunow

Bia Brunow é uma jornalista que virou cozinheira. Por aqui vamos ter muita cozinha afetiva, viagens e histórias contadas entre uma garfada e outra

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