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Israel

A Guerra de Netanyahu: até quando a comunidade internacional vai permitir?

É crucial que a comunidade internacional finalmente exija um cessar-fogo imediato, o respeito ao direito internacional e que se busque uma solução pacífica para o conflito

Publicado em 16 de Outubro de 2024 às 02:33

Públicado em 

16 out 2024 às 02:33
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

brunelavincenzi@hotmail.com

A Guerra de Netanyahu teve início em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas lançou um ataque contra Israel a partir da Faixa de Gaza. O governo israelense, liderado pelo seu primeiro-ministro, respondeu com uma operação militar em larga escala que, sendo desproporcional e maligna, resultou em um drama humanitário sem precedentes na região.
Durante a guerra, o Hamas e outras facções palestinas em Gaza lançaram foguetes em direção a cidades israelenses, quase em sua totalidade repelidas pelo escudo anti-aéreo israelense, o “domo de ferro”, um sistema anti-mísseis projetado para derrubar foguetes com alcance de até 70 quilômetros.
Mesmo assim, as Forças de Defesa de Israel (IDF) retaliaram com ataques aéreos e terrestres, em escala gigantesca, já não passando mais a distinguir alvos militares, terroristas e civis, tendo matado milhares de crianças, mulheres, refugiados, trabalhadores humanitários, indistintamente. Em razão disso, além das mortes, com o bombardeio incessante, o conflito resultou em um grande número de refugiados e deslocados internos, causando um grande drama humanitário na região.
Além dos combates em Gaza, o governo israelense também lançou ataques contra o Hezbollah no Líbano, em resposta ao apoio do grupo terrorista ao Hamas. Mais uma vez, a Guerra de Netanyahu não fez distinção entre alvos militares e civis, e, desrespeitando todas as convenções internacionais sobre conflitos e guerras, seus ataques têm levado danos às estruturas físicas do país, a milhares de vítimas civis no Líbano, aumentando ainda mais a escalada de conflito e ódio na região.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu Crédito: Alan Santos/PR
A questão dos refugiados é um dos mais urgentes desafios que a comunidade internacional enfrenta atualmente na região, isso porque tanto Gaza como o Líbano eram locais onde os refugiados palestinos passaram a viver após a criação do Estado de Israel em 1948.
Desterrados de seu lugar de nascimento e vida, essas pessoas passaram a viver em condições precárias, muitas vezes em campos de refugiados superlotados e sem acesso a serviços básicos. A situação apenas piorou com o conflito iniciado em outubro de 2023 entre Israel, Hamas e o Hezbollah.
O governo israelense afirma que suas operações militares são necessárias para garantir a segurança de seus cidadãos. No entanto, muitos críticos têm acusado Israel de cometer crimes de guerra e genocídio contra a população palestina e, agora mais recentemente, libanesa.
No Tribunal Penal Internacional já tramitam  processos sobre violações do direito internacional humanitário durante os confrontos em Gaza, sendo o mais conhecido deles o iniciado a partir de denúncia de prática de genocídio pelo governo israelense em Gaza. Importante notar aqui que, apesar de ter sido iniciado pelo governo da África do Sul, a denúncia de genocídio conta com apoio de países importantes que se juntaram ao processo.
Não bastasse toda a catástrofe humanitária, nas últimas duas semanas a Unifil (Força Interina das Nações Unidas no Líbano) também vem sendo, indevidamente, alvo de ataques por parte das Forças de Defesa de Israel (IDF), ataques esses que continuam no momento que essa coluna é escrita e que já feriram 15 soldados (peacekeepers) que faziam parte da missão da ONU.
A Unifil das Nações Unidas no Líbano foi estabelecida em março de 1978, em resposta à invasão israelense do sul do Líbano, desde então vem sendo renovada, em 1982 e em 2006, ano da Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU. Posteriormente, as Resoluções 2650 and 2591 esclareceram o escopo da missão de paz no Líbano, em especial manter a Linha Azul. Sendo essas três que atualmente regulamentam Missão de Paz da ONU no sul do Líbano, em especial a questão da Linha Azul.
A Linha Azul é a linha de retirada de 120 quilômetros que foi identificada no ano 2000 pelas Nações Unidas, em cooperação com autoridades libanesas e israelenses, com o propósito de confirmar a retirada das Forças de Defesa de Israel (IDF) do território libanês em conformidade com a Resolução 425 do Conselho de Segurança (1978).
A Linha Azul não constitui uma fronteira entre o Líbano e Israel e não prejudica futuros acordos fronteiriços entre os dois estados, porém qualquer travessia não autorizada da Linha Azul por via terrestre ou aérea, por qualquer um dos lados, constitui uma violação à Resolução 1701 do Conselho de Segurança.
A Unifil atualmente é composta por tropas de diversos países membros das Nações Unidas, totalizando mais de 10 mil militares de 50 países e aproximadamente 800 civis. O comando é exercido por um oficial de alta patente de um país que contribui com tropas, hoje em dia pelo General Aroldo Lázaro Sáenz, da Espanha, que está no comando desde fevereiro de 2022.
Os ataques de Israel à Unifil vêm sendo condenados pela comunidade internacional, o que por si só não impede a narrativa de Netanyahu de que as forças da ONU estão servindo de escudo humano para o Hezbollah no sul do Líbano. Tanto no campo de batalha como na guerra de narrativas, o primeiro-ministro israelense comanda seu próprio show. Uma máquina de propaganda a postos, filmagens dos ataques realizados pelas forças israelenses em Gaza e no Líbano editados perfeitamente e uma série de desculpas esfarrapadas para justificar ataques a civis, trabalhadores humanitários e à própria Unifil parecem impedir que líderes mundiais realmente detenham  seus ataques.
Enfim, a situação dos civis, em especial, dos refugiados palestinos em Gaza e no Líbano é um lembrete doloroso do fracasso da comunidade internacional em proteger os direitos humanos e fornecer refúgio seguro para aqueles que mais precisam. Enquanto a Guerra de Netanyahu continuar, o drama dos refugiados, da população civil e dos muitos trabalhadores humanitários, que continuam doando a sua vida para salvar outras, só irá se agravar. É crucial que a comunidade internacional finalmente exija um cessar-fogo imediato, o respeito ao direito internacional e que se busque uma solução pacífica para o conflito.
Caso contrário, à medida que o tempo passa, outras milhares de pessoas em Gaza e no Líbano continuam morrendo, as que sobrevivem vão migrando de vilarejo em vilarejo, fugindo de suas casas e buscando refúgio para sobreviver às consequências devastadoras da guerra de Netanyahu A situação permanece volátil e tensa, com o potencial de causar ainda mais sofrimento e tragédia para os civis inocentes presos no meio do conflito.

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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