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Eleições 2022

Não devemos votar somente em vista dos nossos interesses pessoais

Depois dessas eleições precisaremos de um plano para a reconciliação nacional, democracia, afinal, é a arte de permitir o convívio em um mesmo país de grupos divergentes e com interesses antagônicos

Publicado em 12 de Outubro de 2022 às 00:15

Públicado em 

12 out 2022 às 00:15
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

brunelavincenzi@hotmail.com

Bandeira do Brasil
Bandeira do Brasil Crédito: Pixabay
Primeiro a pandemia de coronavírus, depois a inflação, a perda de emprego, a dificuldade para manter as contas em dia, agora as eleições, com isso tudo a saúde psicológica da maioria das pessoas está indo por água abaixo.
Fingir que essa série de eventos nos últimos anos não nos afetou a todos não irá adiantar. Para muitos, antes mesmo da pandemia, o sofrimento havia começado quando nas eleições de 2018 vimos ser eleito o que parecia ser o início do estabelecimento de uma espécie de neofascismo no poder.
A sociedade mudou muito desde então, coisas que pareciam ficar guardadas no inconsciente das pessoas ou restrita a conversas entre amigos e familiares transbordaram para a esfera pública. Passamos, no Brasil, a viver em uma sociedade onde não se pensa mais no que se fala, nem o que se escreve nas redes sociais.
Durante a pandemia, mesmo isolados, as agressões verbais continuaram e entramos em um debate antes disso impensável sobre a eficácia de vacinas. Em um país que havia erradicado a maioria das doenças transmissíveis e com tratamento por vacinas conhecido, de repente se apresenta como contrário à vacinação em massa da população não só contra o Covid-19, como também contra outras doenças como a poliomielite.
Em seguida, nos deparamos com a disparada dos preços dos alimentos, a cesta básica que deveria ter valores de alimentos controlados passa a custar mais de R$ 700 em algumas capitais, como em Vitória. Muitos perderam os empregos, outros viram a renda diminuir e a maioria de nós passou a sentir diretamente no bolso os efeitos do descontrole político no país, onde de um lado temos políticos gananciosos e de outro uma população que cada dia mais passa a viver abaixo da linha da pobreza.
Voltamos ao mapa da fome!
Quando achávamos que a situação não poderia mais piorar, vivemos uma das eleições mais polarizadas e violentas da história do Brasil. Frases e comentários antes indizíveis passam a ser triviais na boca de contendores e seus apoiadores. O uso de armas de fogo passou a fazer parte da vida de famílias, muitos passam a fazer curso de tiro para aprender a matar, dizendo ser somente para legítima defesa. As religiões que deveriam se ausentar de qualquer debate político, em razão da laicidade do Estado, tomam lados e emitem opiniões quase impositivas aos seus fiéis.
O resultado de tudo isso, além do caos em que vivemos, está internalizado na maioria das pessoas. Muitas estão adoecendo psicologicamente entre todas as classes sociais e as mais diversas profissões. Ontem vimos nos noticiários um policial que, em surto psicológico, atropelou outros colegas policiais. O número de suicídios vem aumentando no país, até mesmo entre crianças.
Para onde estamos indo?
Depois dessas eleições precisaremos de um plano para a reconciliação nacional, democracia, afinal, é a arte de permitir o convívio em um mesmo país de grupos divergentes e com interesses antagônicos. A arte política da Grécia antiga, iniciada há milênios por meio do debate na ágora ateniense, deve repercutir em nossos dias como aprendizado para uma vida em que o debate de ideias antagônicas seja permitido e nutrido sem a necessidade do uso de violência.
Que ao final dessas eleições possamos sair mais abertos e mais atenciosos às necessidades de todos os outros que vivem em nossa cidade, estado e país. Não devemos votar somente em vista dos nossos interesses, para a “minha empresa”, o “meu negócio”, a “minha corporação”, os “meus filhos”. Somos muito mais do que isso, já fomos um país bom, voltemos a ele!

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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