O assassinato de George Floyd por um policial norte-americano vem causando furor nos Estados Unidos, levando a população a sair às ruas de tal forma e com tanta força como não se via desde as grandes marchas da década de 1960. E justamente as passeatas daquela década, lideradas inicialmente por atos de Rosa Parks e Martin Luther King, eram em busca de igualdade de direitos entre negros e brancos no país.
Esse estado de coisas nos leva a refletir sobre a eficácia de leis, constituições, tratados internacionais no combate ao racismo. O que adiantou a luta de Martin Luther King para que fosse aprovado o Civil Rights Act em 1965, se ainda hoje um homem negro é assassinado brutalmente por um policial branco nos Estados Unidos? E o pior, lembremos, que a primeira versão da polícia é de que George Floyd teria reagido e dificultado a atuação da polícia, ou seja, o ato foi intencionalmente omitido da opinião pública.
Quantas vezes ainda iremos ler e ouvir sobre crimes cometidos por policiais brancos contra negros, negros jovens e negros pobres?
Não é a falta de leis e tratados internacionais, tampouco a ausência de uma constituição virtuosa, mas a cultura que permeia a sociedade que autoriza a continuidade do racismo como prática institucional diária tolerada.
Tanto nos Estados Unidos como no Brasil temos uma legislação forte que prevê o crime de racismo, com penas severas e procedimento diferenciado, mas mesmo assim, o racismo nas nossas sociedades ainda sobrevive e persiste como um mal maior.
E não adianta fazer notas de apoio e solidariedade e continuar comprando produtos que são vendidos por comerciais cheio de pessoas brancas, loiras e de olhos azuis. Não adianta postar fotos com dizeres antirracistas e antifascistas se no seu dia a dia você tolera a humilhação e a invisibilização da população negra marginalizada nas periferias e nas penitenciárias no Brasil.
Aprendemos com tudo isso que acontece agora nos Estados Unidos, que uma constituição fantástica, leis severas e tratados internacionais sozinhos não fazem a diferença se as pessoas não se propuserem a mudar radicalmente a sua posição em relação ao racismo cotidiano.