O recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em 2023, apresentou um cenário alarmante sobre as mudanças climáticas e seus impactos nos deslocados internos no mundo e também em nosso país. A emergência climática causada principalmente por ações humanas, como a emissão de gases de efeito estufa, está resultando em um aumento do aquecimento do planeta, levando a eventos climáticos extremos e padrões climáticos imprevisíveis.
A emergência climática ficou mais evidentes para nós no Brasil este ano, com as enchentes no Rio Grande do Sul, e agora com o nível sem precedentes de queimadas ocorrendo no Brasil inteiro. Essas mudanças estão afetando a todos, mas temos visto mais diretamente os povos originários e tradicionais do Brasil sendo afetados, pois as suas vidas estão muito mais ligadas ao território onde vivem, como as florestas.
Com o aumento do desmatamento, das queimadas e da destruição dos ecossistemas, essas comunidades vêm passando por situações desoladoras, como a falta de alimentos e adoecimento, podendo até mesmo ser forçadas a se deslocar de suas terras tradicionais.
A justiça climática se torna, portanto, um tema central nesse contexto, pois os impactos das mudanças climáticas são desproporcionalmente sentidos pelas comunidades mais vulneráveis e menos responsáveis pelas causas do problema.
É fundamental que sejam adotadas medidas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e garantir a continuidade da existência dessas comunidades, respeitando seus conhecimentos tradicionais e direitos territoriais.
É urgente que o Brasil, juntamente com a comunidade internacional, tome medidas concretas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, proteger as áreas naturais e promover a sustentabilidade. Além disso, políticas públicas devem ser implementadas para garantir a proteção e o apoio às comunidades tradicionais, sem impor a elas mais danos do que todos já suportados desde a ocupação de suas terras pelos colonizadores do país.
Aos povos tradicionais o deslocamento vem sendo imposto desde que os primeiros colonizadores aqui chegaram e agora, apesar de serem os verdadeiros guardiões das nossas florestas e biodiversidade, parecem que serão novamente penalizados por atos praticados por pessoas não indígenas ao redor do planeta.
O relatório do IPCC de 2023 foi um alerta que se comprova agora de forma extrema, diante da gravidade das queimadas que estamos vendo no Brasil neste ano. A proteção dos povos originários e tradicionais do Brasil é essencial para a preservação da biodiversidade, dos ecossistemas e da própria identidade nacional. Somente com um compromisso sério e coletivo podemos enfrentar os desafios das mudanças climáticas e garantir um futuro sustentável para todos.