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Meio ambiente

Por que a justiça climática é um assunto prioritário?

Os impactos das mudanças climáticas são desproporcionalmente sentidos pelas comunidades mais vulneráveis e menos responsáveis pelas causas do problema

Publicado em 18 de Setembro de 2024 às 03:00

Públicado em 

18 set 2024 às 03:00
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

brunelavincenzi@hotmail.com

O recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em 2023, apresentou um cenário alarmante sobre as mudanças climáticas e seus impactos nos deslocados internos no mundo e também em nosso país. A emergência climática causada principalmente por ações humanas, como a emissão de gases de efeito estufa, está resultando em um aumento do aquecimento do planeta, levando a eventos climáticos extremos e padrões climáticos imprevisíveis.
A emergência climática ficou mais evidentes para nós no Brasil este ano, com as enchentes no Rio Grande do Sul, e agora com o nível sem precedentes de queimadas ocorrendo no Brasil inteiro. Essas mudanças estão afetando a todos, mas temos visto mais diretamente os povos originários e tradicionais do Brasil sendo afetados, pois as suas vidas estão muito mais ligadas ao território onde vivem, como as florestas.
Com o aumento do desmatamento, das queimadas e da destruição dos ecossistemas, essas comunidades vêm passando por situações desoladoras, como a falta de alimentos e adoecimento, podendo até mesmo ser forçadas a se deslocar de suas terras tradicionais.
A justiça climática se torna, portanto, um tema central nesse contexto, pois os impactos das mudanças climáticas são desproporcionalmente sentidos pelas comunidades mais vulneráveis e menos responsáveis pelas causas do problema.
É fundamental que sejam adotadas medidas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e garantir a continuidade da existência dessas comunidades, respeitando seus conhecimentos tradicionais e direitos territoriais.
É urgente que o Brasil, juntamente com a comunidade internacional, tome medidas concretas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, proteger as áreas naturais e promover a sustentabilidade. Além disso, políticas públicas devem ser implementadas para garantir a proteção e o apoio às comunidades tradicionais, sem impor a elas mais danos do que todos já suportados desde a ocupação de suas terras pelos colonizadores do país.
Queimadas avançam pelo Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso
Queimadas avançam pelo Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso Crédito: Cipaer-MT
Aos povos tradicionais o deslocamento vem sendo imposto desde que os primeiros colonizadores aqui chegaram e agora, apesar de serem os verdadeiros guardiões das nossas florestas e biodiversidade, parecem que serão novamente penalizados por atos praticados por pessoas não indígenas ao redor do planeta.
O relatório do IPCC de 2023 foi um alerta que se comprova agora de forma extrema, diante da gravidade das queimadas que estamos vendo no Brasil neste ano. A proteção dos povos originários e tradicionais do Brasil é essencial para a preservação da biodiversidade, dos ecossistemas e da própria identidade nacional. Somente com um compromisso sério e coletivo podemos enfrentar os desafios das mudanças climáticas e garantir um futuro sustentável para todos.

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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