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Violência

Quando deixamos de acreditar na paz?

Por que continuamos agindo de forma paradoxal buscando, de um lado, a cultura da paz, abominando guerras e, de outro lado, aceitando a violência em supostas “guerras justas”, “legítima defesa da força policial”, “guerra às drogas”?

Publicado em 19 de Abril de 2023 às 00:10

Públicado em 

19 abr 2023 às 00:10
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

brunelavincenzi@hotmail.com

Sistema M142 Himars americano, que será enviado à Ucrânia durante exercício no Marrocos.
Sistema M142 Himars americano Crédito: Fadel Senna/AFP
A coluna desta semana, sem tratar de um só evento, traz o debate sobre a busca de uma solução pacífica para os vários conflitos que a sociedade contemporânea vem experienciando nos últimos tempos. Mais especificamente, se olharmos para o nosso quintal, vemos acontecer ataques armados em escolas e universidades e, no plano internacional, mais de uma guerra em andamento, com destaque para a Guerra na Ucrânia.
Não é de hoje que se pleiteia uma cultura de paz na humanidade, ao longo de nossa história são incontáveis as vezes que se fez guerra e, em contrapartida, buscou-se a paz. Certo, guerras sempre aconteceram, ataques violentos em escolas talvez não, mas a busca pela paz como valor moral da humanidade é algo mais recente, que nasce no início do século passado com a criação da Liga das Nações em 1919, como consequência do Tratado de Paz de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial.
De especial, a Liga das Nações tem na sua história um plano apresentado pelo então presidente norte-americano, Woodrow Wilson, denominado os 14 Pontos de Wilson. O plano vedava acordos secretos, combatia o imperialismo e previa a criação da Liga das Nações. A ideia é que aquele conflito (que Wilson entendia ser a última guerra entre as nações) acabasse com todas as guerras.
A história nós conhecemos e, portanto, sabemos que o futuro não saiu como planejado. Há milhares de explicações para a Liga das Nações não ter impedido a Segunda Guerra Mundial, nem a sua sucessora, a Organização das Nações Unidas não ter impedido todas as outras guerras que vivemos até aqui.
Não há na Carta da ONU uma vedação expressa à guerra, mas há uma previsão que tem por objetivo dificultar o uso da força contra um outro país, que é a necessidade de se passar o ato de guerra, antes de ele ser praticado, por votação pelo Conselho de Segurança da ONU. Esse, também, um procedimento que sabemos hoje não ter dado certo.
Mesmo assim, com evidentes fracassos ao longo dos anos, a cultura da paz ainda é uma busca almejada até mesmo pelos políticos mais céticos, pelos cidadãos da sociedade civil organizada e pela maioria das pessoas que compõem a humanidade. Ou seja, ao que parece, não deixamos de acreditar na paz; talvez tenhamos nos tornado céticos.
A busca pela paz é o que move o engajamento em movimentos sociais, a formação de associações e coletivos, a continuidade das Nações Unidas, e, em última análise, o recurso argumentativo que se faz sempre aos direitos humanos.
A questão que fica, então, é por que continuamos agindo de forma paradoxal buscando, de um lado, a cultura da paz, abominando guerras e, de outro lado, aceitando a violência em supostas “guerras justas”, “legítima defesa da força policial”, “guerra às drogas” e o licenciamento indiscriminado de armas de fogo para fins recreativos em clubes de tiro?
A verdade é que nos últimos anos - se passaram apenas 76 anos da constituição da ONU - a tolerância à guerra tem aumentado, porque normalizamos a violência no nosso dia a dia.

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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