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Travessia no Atlântico

Resgate de refugiados em perigo no mar é questão humanitária

A crescente instabilidade política e a situação econômica precária em algumas regiões do mundo têm levado muitas pessoas a tentarem a perigosa travessia marítima em busca de uma vida melhor

Publicado em 12 de Julho de 2023 às 00:10

Públicado em 

12 jul 2023 às 00:10
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

brunelavincenzi@hotmail.com

PF resgata estrangeiros no Litoral do ES a bordo de navio
PF resgata estrangeiros no litoral do ES a bordo de navio Crédito: Divulgação | Polícia Federal
Nesta segunda-feira (10), foi noticiada a chegada de imigrantes ao Espírito Santo vindos da Nigéria, sentados na casa de leme de um navio de bandeira da Libéria. Os imigrante saíram de seu país no dia 27 de junho e viajaram, aparentemente dessa forma, até o Brasil.
A tentativa de sair de seu país de origem não é algo novo para o Direito Internacional dos Refugiados, as situações de perseguições políticas ou de graves violações de direitos humanos na África têm levado milhares de pessoas a buscar condições melhores de vida em outros continentes.
Durante o verão europeu temos visto uma quantidade enorme de pessoas tentando atravessar o Mar Mediterrâneo em embarcações precárias rumo à Europa. Desta vez, o caminho foi mais longo e de forma improvisada, vindo em um navio, rumo ao Espírito Santo. Os quatro imigrante têm direito de pedir refúgio no Brasil e devem ser consultados sobre isso pela Polícia Federal antes de serem deportados para a Nigéria, como tem sido noticiado nos meios de comunicação.
O resgate de refugiados em alto mar é um tema cada vez mais urgente e complexo nos dias de hoje. A crescente instabilidade política e a situação econômica precária em algumas regiões do mundo têm levado muitas pessoas a tentarem a perigosa travessia marítima em busca de uma vida melhor e mais segura. Entendo ser essencial discutir as regras de resgate em alto mar e as dificuldades enfrentadas por diferentes grupos de refugiados.
Uma das regiões mais afetadas por esse problema é a costa da Grécia. Milhares de refugiados, principalmente provenientes do Oriente Médio e do continente africano, têm tentado chegar à Europa através do mar Egeu. Infelizmente, inúmeros naufrágios têm ocorrido nessa rota, resultando em um alto número de mortos e desaparecidos. Recentemente, um trágico acontecimento envolvendo um barco com refugiados no litoral grego resultou em cerca de 500 mortos.
A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar estabelece a obrigação de prestar assistência a pessoas em perigo no mar, independentemente da sua nacionalidade ou status legal. No entanto, a falta de uma abordagem coordenada entre os países tem gerado consequências trágicas, como a demora ou até mesmo a falta de resgate em casos de naufrágios.
Por vezes o não resgate é apenas uma decisão tomada pelos políticos do país onde o barco a ser resgatado está localizado. Há dúvidas se o resgate não era possível ou se deixou-se morrer as pessoas, simplesmente.
Além disso, é importante destacar as especificidades e dificuldades enfrentadas pelos refugiados do Senegal, um dos países africanos que têm registrado um aumento significativo no número de pessoas que fogem em razão de conflitos políticos. Muitos deles se aventuram em uma perigosa travessia marítima em direção às Ilhas Canárias, território espanhol. Porém, esse caminho é uma rota perigosa, como se vê agora, que há relatos de três barcos com cerca de, ao todo, 300 pessoas que estão desaparecido na rota entre o Senegal e as Ilhas Canárias. A ausência de uma política eficaz de resgate nessa região tem colocado em risco a vida dessas pessoas.
Diante desse cenário, é fundamental que os países envolvidos busquem soluções conjuntas para enfrentar esse desafio humanitário. Um maior investimento em recursos e equipamentos destinados ao resgate pode ajudar a evitar um número tão alto de vítimas. Além disso, a cooperação internacional é fundamental para uma abordagem coordenada e eficaz na prestação de assistência a refugiados que se encontram em perigo no mar.
As regras de resgate de barcos em alto mar devem ser analisadas e aprimoradas para garantir a proteção da vida humana. É necessário agir com urgência, a fim de evitar tragédias como naufrágios. A vida e a segurança dos refugiados devem ser priorizadas, e isso requer uma cooperação internacional eficaz e uma resposta humanitária adequada.
Quando essa problemática atinge também o Brasil, como estamos vendo no caso dos quatro nigerianos que chegaram ao Espírito Santo, espera-se das autoridades que todas as circunstâncias humanitárias sejam respeitadas e que seus direitos garantidos.

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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