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Ataque russo

Situação de refugiados da Ucrânia precisa mobilizar o mundo

A saída não só de estrangeiros, mas da própria população ucraniana do país, vai promover uma onda migratória maciça de refugiados para os países europeus

Publicado em 24 de Fevereiro de 2022 às 12:57

Públicado em 

24 fev 2022 às 12:57
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

brunelavincenzi@hotmail.com

Fuga de Kiev: imagens mostram população deixando capital da Ucrânia
Fuga de Kiev: imagens mostram população deixando capital da Ucrânia Crédito: Reprodução/Twitter
presidente Joe Biden já vinha há algumas semanas avisando que um ataque pela Rússia à Ucrânia seria iminente. Hoje acordamos com as imagens de bombardeios que teriam acabado de acontecer. O que se imaginava, porém, é que os ataques russos seriam somente às regiões de Donestk e Lugansk. As duas regiões, mais próximas às fronteiras russas, que tiveram sua autonomia reconhecida formalmente pela Rússia, nesta segunda-feira (21).
Para além do que se estava esperando, os ataques feitos à Ucrânia hoje, ao que tudo indicam, visam à tomada da capital Kiev por tropas russas. Diante disso, o que se via durante toda a manhã eram imagens de engarrafamentos enormes saindo de Kiev rumo às cidades e regiões mais ao oeste do país. Provavelmente, aqueles que conseguirem sair das cidades que estão sendo atacadas, estariam rumando à Polônia, fronteira da União Europeia mais acessível aos ucranianos.
A Rússia continua fazendo ofensivas pontuais, tomaram cidades ao sul da Ucrânia, e atacando vários aeroportos. Chegam notícias de que um aeroporto próximo à capital Kiev já estaria sob o comando do país de Vladimir Putin.
Chegam informações, também, de que há cerca de 500 brasileiros na Ucrânia, que estariam sendo amparados pela Embaixada Brasileira em Kiev, segundo nota oficial emitida pelo Itamaraty. Todavia, vídeos feitos por jogadores de futebol que atuam em times ucranianos, juntamente com suas famílias, chegam às redes sociais informando que não têm qualquer apoio local pelo governo brasileiro e pedem que internautas os ajudem a viralizar os vídeos, para que o Brasil tome alguma medida no sentido de ajudá-los a sair do país.
A saída não só de estrangeiros, mas da própria população ucraniana do país, vai promover uma onda migratória maciça de refugiados para os países europeus, muitos deles já se preparam para a recepção daqueles que fogem do país alvo de ataques russos desde a madrugada. Um ponto importante que vem sendo levantado por organizações internacionais de ajuda humanitária é para o fato de ucranianos precisarem de visto para entrada nos países do bloco europeu.
Essas organizações estão pedindo, portanto, para que a União Europeia cancele ou suspenda a exigência do visto. Ainda, notícias dão conta de que para entrada na Europa se faz necessário um passaporte biométrico, o que a maioria dos cidadãos ucranianos não possuem.
Todo evoluir dos fatos é muito preocupante e retrata uma busca de afirmação de poder no cenário internacional pelo presidente russo, Vladimir Putin. Diante de um isolamento internacional, Putin se vale da violência, tática antiga e já vista em outros momentos históricos no mundo, para se fazer ouvir pela sociedade internacional.
À custa de vidas perdidas e cidades destruídas, famílias desfeitas, a tática perigosa de Putin deixou os países ocidentais numa sinuca de bico: se reagirem para proteger a Ucrânia dão início a uma guerra (com possível uso de armas nucleares), o que teria consequências terríveis para toda humanidade – ou se calam, aplicando sanções financeiras, para evitar a guerra.
Do lado de uma suposta neutralidade, a China pede cautela no tratamento do conflito, mas não condena expressamente a atitude de Vladimir Putin. Pelo contrário, acena com contratos comerciais para retirar o sufoco imposto por sanções dos Estados Unidos e da União Europeia à Rússia. Como se tem especulado, a China se beneficia da estratégia russa, uma vez que poderia usar da mesma tática para ocupar Taiwan e retomar a soberania sob o país.
Aguardemos os desenvolvimentos durante os próximos dias, na esperança de que o conflito não se desenvolva para uma guerra.

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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