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Conflito

Tensão nuclear mundial: estamos em uma nova Guerra Fria?

Todos os que viveram aquele período, mas também os que conhecem a fragilidade de uma paz tutelada, temem que um deslize qualquer inicie uma guerra nuclear

Publicado em 10 de Agosto de 2022 às 02:00

Públicado em 

10 ago 2022 às 02:00
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

brunelavincenzi@hotmail.com

Bomba atômica em explosão nuclear
Bomba atômica em explosão nuclear Crédito: Reprodução I Pixabay
O último sábado, dia 6 de agosto, marcou os 77 anos do lançamento da bomba nuclear sobre a cidade de Hiroshima, no Japão. Três dias depois, os Estados Unidos lançariam outra bomba nuclear sobre a cidade de Nagasaki, pondo fim à Segunda Guerra Mundial.
A experiência das duas bombas nucleares lançadas sobre as cidades japonesas fez com que a humanidade pensasse e negociasse por muito tempo tratados internacionais para evitar a proliferação de armas nucleares e o seu uso, porém, antes que esses tratados fossem assinados algumas nações já haviam adquirido um arsenal atômico, de modo que parte dele ainda existe até hoje.
Inicialmente, logo após a Segunda Guerra Mundial, os seguintes países declararam possuir ou estar em vias de possuir armas nucleares: são eles os Estados Unidos, a Rússia, a China, a França e o Reino Unido. Todavia, mesmo depois de pactuada a não proliferação (o tratado foi aberto para assinatura em 1968 e entrou em vigor em 1970), outras nações do mundo desenvolveram a tecnologia nuclear de modo a usá-la para armas de guerra, são elas: Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte. Desconfia-se, ainda, que o Irã esteja em vias de desenvolver tal armamento.
De acordo com o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, existem hoje em dia aproximadamente 13 mil armas desse tipo armazenadas ao redor do planeta. Tal número é um dado extremamente alarmante, principalmente se considerarmos que uma quantidade reduzida delas pode por fim à vida na Terra como a conhecemos hoje.
Esse dado foi mencionado por Guterres durante o seu discurso de abertura da 10ª Conferência do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TPN) que está acontecendo desde o dia 1º de agosto, em Nova York. Em seu discurso, o secretário-geral da ONU afirmou que a humanidade está a "um erro de cálculo" de sofrer uma "aniquilação".
O discurso de Guterres, conhecido pelo seu tom apaziguador, atingiu um acento grave que nos deve fazer a todos refletir. Segundo ele:
"Hoje, a humanidade está a um mal entendido, a um erro de cálculo de uma aniquilação nuclear. Nós fomos extraordinariamente sortudos até agora. Mas sorte não é estratégia, tampouco um escudo contra as tensões geopolíticas que fervem até se transformarem em um conflito nuclear"
Antonio Guterres - Secretário-geral das Nações Unidas (ONU)
Seriam as ameaças de Vladimir Putin sobre um possível uso do arsenal atômico da Rússia que teria levado o secretário-geral a externar tamanha preocupação? O medo de viver sob a ameaça de uma guerra nuclear marcou toda a Guerra Fria, em especial o período entre 1947 e 1991, com o fim da União Soviética.
Todos os que viveram aquele período, mas também os que conhecem a fragilidade de uma paz tutelada, temem que um deslize qualquer inicie uma guerra nuclear. Numa reportagem publicada no dia 2 de agosto, a revista The Economist ("What would push the West and Russia to nuclear war?") traz depoimentos de vários especialistas sobre estratégias de guerra, armas nucleares e política internacional para demonstrar que não há certeza se Putin irá ou não usar armas nucleares contra a Ucrânia e/ou contra os países da Otan.
Segundo a revista, é por conta dessa incerteza entre os maiores especialistas e consultores norte-americanos que Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, ainda hesita e vem enviando de forma lenta e gradual armamentos para a Ucrânia. Uma estratégia mais agressiva poderia ser o estopim para o agravamento da guerra (no jargão dos especialista uma “escalada vertical” da guerra envolveria o uso de armas nucleares e/ou biológicas contra os países da Otan).
Diante de tal cenário, a melhor solução para a humanidade seria que os países que participam da 10ª Conferência do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares alcancem um acordo sobre a redução em um prazo razoável e próximo do número de armas nucleares armazenadas no mundo. E que, enfim, a tecnologia nuclear seja usada somente para fins pacíficos.

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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