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Segurança pública

Tiros em Vitória: não se pode admitir a solução simplista de reagir com mais violência

É importante que o poder público esteja comprometido em garantir o desenvolvimento social e econômico dessas áreas, oferecendo políticas de inclusão e investindo em atividades que possam beneficiar essas comunidades

Publicado em 28 de Junho de 2023 às 00:20

Públicado em 

28 jun 2023 às 00:20
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

brunelavincenzi@hotmail.com

Janela de hospital com vista para a região onde o tiroteio começou
Janela de hospital com vista para a região onde o tiroteio começou Crédito: Leitor | A Gazeta
Na noite do último sábado (24) e madrugada do domingo (25), a cidade de Vitória foi palco de mais um episódio de violência, que deixou a população apreensiva e preocupada. Infelizmente, essa não é uma situação isolada, e a violência tem se mostrado um problema recorrente em muitas cidades brasileiras.
Antes de mais nada, é preciso que seja dito que violência não se resolve com violência. A repressão policial pode até mesmo agravar o problema, gerando mais revolta, rancor e insegurança na população.
A guerra do tráfico tem sido um problema crescente nas grandes cidades brasileiras, especialmente para os jovens que crescem em áreas dominadas pela violência e pela criminalidade. O tráfico de drogas se torna, muitas vezes, a única solução para jovens que não têm outras oportunidades de emprego ou educação, tornando-os reféns de uma realidade perigosa.
Para combater esse cenário não se deve recorrer a soluções que alguns acreditam serem milagrosas, como a de colocar o exército nas ruas. Pelo contrário, é essencial investir em projetos sociais que possam oferecer alternativas para os jovens que estão à frente de muitos dos ataques que têm sido vistos em nosso estado.
Ações voltadas para a educação, cultura e esporte podem ajudar a direcionar suas energias para algo positivo e produtivo, além de oferecer habilidades e conhecimentos que possam ser utilizados de maneira que os jovens se sintam integrados à sociedade da cidade onde vivem.
Num primeiro momento é fundamental que as escolas se tornem parceiras nesse processo, oferecendo oportunidades e programas que motivem os jovens a investir em seus estudos e desenvolver suas habilidades. Mas também é necessário que a sociedade como um todo esteja envolvida na causa, oferecendo apoio e incentivando a criação de novos projetos sociais.
Isso porque é preciso mais do que apenas educação formal, é preciso investir em políticas públicas que possam oferecer alternativas para esses jovens. A falta de oportunidades, aliada à pobreza e à desigualdade social, muitas vezes contribui para o crescimento do tráfico de drogas e da violência nas periferias das cidades.
Por isso, é importante que o poder público esteja comprometido em garantir o desenvolvimento social e econômico dessas áreas, oferecendo políticas de inclusão e investindo em atividades que possam beneficiar essas comunidades.
Além disso, é urgente que sejam tomadas medidas para controlar a venda de armas. A verdade é que muitas armas compradas legalmente acabam nas mãos de grupos associados ao tráfico de drogas, facilitando a prática de crimes violentos. Por isso, é importante que haja maior fiscalização e restrição no comércio de armas de fogo no país.
Infelizmente, essas soluções não são simples e exigem um trabalho coletivo e contínuo por parte de governos, sociedade civil, organizações não governamentais e empresas. Mas é fundamental que sejamos proativos na busca de soluções pacíficas e justas para todas as partes do conflito. O que não se pode admitir é a solução simplista de agir com maior violência, com a criminalização da juventude já abandonada à própria sorte pelo poder público.

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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