Assim como não existe “kit gay” e “ideologia de gênero”, é um tremendo equívoco, se não desvio de caráter, acreditar que educação sexual serviria para ensinar as crianças a fazerem sexo. “Kit gay” foi a nomenclatura criada pela extrema direita brasileira para tentar deslegitimar a conscientização sobre os efeitos deletérios de práticas como a homofobia.
O termo “ideologia de gênero”, por sua vez, foi criado pelo mesmo grupo para ser usado como forma pejorativa de se referir a quaisquer ações que digam respeito ao debate de questões ligadas ao gênero e à orientação sexual.
No afã de criar um cenário de pânico moral na sociedade, esses setores mais à extrema direita, que encabeçaram o projeto Escola Sem Partido, também tentam iludir os desavisados no sentido de que, por trás da educação sexual, haveria um plano maligno de sexualizar as crianças, introduzindo-as precocemente na vida sexual. Uma grande mentira que não contribui com o processo de amadurecimento de nossa sociedade e milita, principalmente, contra as vítimas de abusos sexuais.
Assim, não é difícil se concluir que educação sexual nas escolas é um importante mecanismo para conscientizar jovens e adolescentes sobre temas ligados à sexualidade. Mesmo porque não adianta tratar o tema como um tabu, haja vista que, em determinado momento, inevitavelmente, esses jovens terão início na vida sexualmente ativa.
A educação sexual permite, então, que antes disso, os jovens possam diferenciar e identificar comportamentos que podem significar algum abuso e, diante disso, buscar a ajuda necessária. De mais a mais, quando se fala da sexualidade de modo leve e compatível com a idade dos educandos, eles terão a chance de antes de iniciarem a vida sexual aprenderem a se prevenir de infecções sexualmente transmissíveis, a evitarem a gravidez na adolescência e a evitarem experiências sexuais traumáticas, como quando não há o devido consentimento de todos os envolvidos.
Para a Organização das Nações Unidas (ONU), a educação sexual relaciona-se à promoção dos direitos das crianças e jovens, além do direito que toda pessoa tem a saúde, educação, informação, segurança e tudo aquilo que diga respeito a uma vida digna. Por tal motivo, a ONU apoia a inclusão da educação sexual nos currículos escolares, tal como já ocorre em países como Holanda, Bélgica, Nova Zelândia, Inglaterra e Escócia.
A sexualidade faz parte da vida humana e, já que essa conversa nem sempre ocorre em casa, mais um motivo para que os jovens recebam as mínimas informações antes de presenciar situações que envolvam diretamente a sexualidade.