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Política

Afinal, Casagrande concorda ou discorda de Bolsonaro?

Casagrande precisa responder: ele cedeu aos apelos de Bolsonaro ou discorda do presidente quando ele diz que as medidas de isolamento social devem ser relaxadas?

Publicado em 10 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

10 abr 2020 às 05:00
Caio Neri

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Caio Neri

caioneri@mpf.mp.br

Renato Casagrande e Jair Bolsonaro
Renato Casagrande e Jair Bolsonaro Crédito: Reprodução
Afinal, o governador Renato Casagrande concorda ou discorda com as posturas de Jair Bolsonaro no tocante à pandemia do coronavírus? Essa pergunta precisa ser respondida porquanto Casagrande deixou no ar dúvidas quanto às medidas de isolamento social e de vedação às aglomerações.
Apesar de Casagrande ter feito um pronunciamento oficial muito bem recebido com críticas explícitas à forma irresponsável como Jair Bolsonaro tem se posicionado institucionalmente quanto à pandemia da Covid-19, nos últimos dias, o governo do Espírito Santo não tem se comportado de modo coerente com seu pronunciamento oficial.
É consenso entre todas as autoridades médicas a importância das medidas de isolamento social e de se evitar aglomerações para dificultar um crescimento exponencial da curva epidêmica do coronavírus. Caso não haja um achatamento dessa curva, dada a alta taxa de transmissibilidade do coronavírus, pode haver um colapso dos serviços públicos e privados de saúde, já que o número de prováveis infectados que venham a depender de leitos e equipamentos de maior complexidade poderá ser muito maior que a capacidade instalada.
Noutras palavras, caso o coronavírus de alastre de forma muito violenta e rápida, como na Itália e na Espanha, não haverá leitos nem respiradores para atender a todos os doentes graves, levando a uma explosão no número de óbitos. Num colapso de saúde, pouco importa se um cidadão tiver plano de saúde, puder pagar um hospital particular ou for usuário do SUS: não haverá condições de atendimento adequado. Daí a importância de proibir aglomerações e a circulação em massa pelas ruas, já que, assim, diminui-se a possibilidade de novos casos de coronavírus. Sem contar a parcela de casos subnotificados.
Uma das primeiras medidas de Casagrande que contrariaram as orientações dos organismos internacionais de saúde foi a drástica redução na frota do transporte público na Grande Vitória. Como muitas pessoas, inclusive aqueles que trabalham na linha de frente do combate à pandemia (profissionais da saúde, de segurança, funcionários de supermercados e farmácias, dentre outros), dependem do transporte público, a diminuição expressiva da frota dos ônibus trouxe como resultado uma grande lotação nos veículos, pontos e terminais, um perigo à saúde pública. A medida, felizmente foi revertida.
Muitos serviços não podem parar, os serviços essenciais. Entretanto, o governo estadual liberou o funcionamento de atividades que, a bem da verdade, não são essenciais neste momento. O governador Casagrande liberou o funcionamento de lojas de chocolates e até mesmo, pasmem, de salões de beleza, onde o contato é bastante próximo. Como divulgado por A Gazeta, igrejas realizaram cultos com presença massiva de fieis em aglomerações no Espírito Santo. O Ministério Público Federal chegou a recomendar ao governo estadual a adoção de medidas para evitar e coibir tais aglomerações, porém, o governo sequer respondeu à recomendação do MPF, o que motivou o ajuizamento de ação civil pública contra o governo do Espírito Santo.
Por isso, Casagrande precisa responder: ele cedeu aos apelos de Bolsonaro ou discorda do presidente quando ele diz que as medidas de isolamento social devem ser relaxadas? Nessa encruzilhada, a opção pela preservação de vidas deve ser prioridade, ainda que a economia sofra prejuízos e cultos sejam realizados pela internet. A economia pode ser recuperada, mas as pessoas precisam sobreviver à epidemia. E diz a Bíblia que onde houver dois ou três reunidos, Deus estará no meio deles, mesmo que estejam em casa, como deve ser nesse momento!

Caio Neri

E graduado em Direito pela Ufes e assessor juridico do Ministerio Publico Federal (MPF). Questoes de cidadania e sociedade tem destaque neste espaco.

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