Na coluna anterior, abordamos um levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos que aponta que a frota de ônibus urbanos das capitais brasileiras é a mais antiga dos últimos 30 anos. Em julho, o governo estadual inaugurou o Viaduto de Carapina. Já no último domingo foi a vez do aquaviário que, após um hiato de duas décadas, voltou a operar na segunda-feira (21).
Neste fim de semana está anunciada a entrega da ampliação da Terceira Ponte e da Ciclovia da Vida. Mas o Viaduto de Carapina, o aquaviário e as obras da Terceira Ponte serão capazes de resolver o problema da mobilidade na Grande Vitória?
A perspectiva das autoridades assinala uma resposta positiva. Resposta essa que encontra eco de esperança entre os cidadãos capixabas que perdem parte significativa de seus dias presos num trânsito cada vez mais caótico, principalmente para uma ilha do tamanho de Vitória. O problema da mobilidade urbana é uma questão crônica para a Grande Vitória, sobretudo para a Capital, onde circula boa parte dos moradores da Região Metropolitana.
A Terceira Ponte, há tempos, é tratada como uma espécie de vilã nesse gargalo de engarrafamento que tem começado mais cedo e dado trégua mais tarde. Espera-se, com a ampliação da capacidade de veículos na ponte, que haja mais fluidez para quem faz o trajeto Vila Velha a Vitória e vice-versa.
Entretanto, é preciso que os motoristas tenham cautela para que isso não se torne um problema maior. Uma vez que as faixas da ponte serão afuniladas para comportar maior número de veículos, a atenção deve ser redobrada para evitar acidentes.
Talvez tão ou mais importante que a obra nas faixas de rolamento da Terceira Ponte seja a ciclovia que está sendo construída logo abaixo. Desde o início da colocação de grades protetoras na ciclovia, o número de suicídios na Terceira Ponte zerou. As taxas de tentativas de retirar a própria vida na ponte também caíram significativamente. Esses números devem ser sim, comemorados! Não por outro motivo a ciclovia tem sido denominada Ciclovia da Vida!
Já o aquaviário, cuja reinauguração se deu em clima de festa, a principal preocupação refere-se à própria viabilidade financeira do projeto (capaz de impactar todo o Sistema Transcol). Para que o sistema do aquaviário não venha novamente à falência, é preciso assegurar que ele não dê prejuízo aos cofres públicos. Talvez fosse interessante também pensar em sua exploração turística, já que em momentos fora do horário do rush o aquaviário pode ficar com lotação muito baixa.
Outra questão que deve ser refletida quanto ao aquaviário é a forma como os usuários completarão as viagens, já que a maioria dos que utilizam o Transcol precisam das linhas alimentadoras para irem dos terminais até suas casas. Exemplificando, o morador de Porto de Santana poderá sair do aquaviário e ir andando até em casa, mas, e aqueles que moram em Flexal, dependeriam de um ônibus para ir de Porto de Santana até o destino final.
Todas essas obras, isolada ou conjuntamente, representam uma tentativa de melhorar o caos que permeia a mobilidade urbana na Grande Vitória. Porém, volto a insistir, deve ser perene a preocupação com a melhoria da qualidade do transporte coletivo, como forma de desincentivar o uso de veículos individuais.