Depois da tentativa frustrada de um golpe de Estado que culminou no 8 de Janeiro de 2023, as instituições constituídas estão sendo novamente testadas, haja vista o declarado embate entre bolsonaristas e o Judiciário, confirmando a predisposição que já haviam demonstrado de descumprir deliberadamente ordens judiciais.
A queda de braço entre bolsonaristas e o Supremo Tribunal Federal, além de constituir um acinte ao Poder Judiciário, pode conduzir a um regime totalitário ou a uma anarquia generalizada caso a harmonia e independência entre os poderes sejam vilipendiadas ou caso não haja garantia de respeito às decisões emanadas pelos tribunais brasileiros, que não devem satisfação a chefes de outras nações nem mesmo ao presidente da República.
Afinal de contas, o Direito existe exata e precisamente para assegurar a coexistência pacífica em sociedade; do contrário, a liberdade de uns poderia se sobrepor à de toda uma coletividade. A divisão entre os Poderes tem o escopo de impedir que o poder concentrado nas mãos de um conduza ao arbítrio.
A ocupação dos plenários na Câmara dos Deputados e no Senado Federal foi um episódio lamentável, sobretudo no atual contexto de intenso atrito entre instituições nacionais e o governo dos Estados Unidos. A obstrução dos trabalhos legislativos foi um verdadeiro sequestro, e o resgate cobrado foi o chamado “Pacote da Paz”.
De paz, tal pacote nada contém; seu objetivo outro não é senão blindar a família Bolsonaro e aqueles que estão em seu entorno, conspirando contra o país e militando contra as instituições democraticamente constituídas. Enquanto ocupavam as mesas diretoras do Congresso Nacional, projetos que realmente interessam ao país e aos brasileiros deixaram de ser discutidos.
É preciso sublinhar — e em letras garrafais — que a prioridade do país não é a anistia aos envolvidos na tentativa de golpe. A urgência é resguardar os empregos e a renda após o Tarifaço de Trump. O Brasil não pode parar por conta de Jair Bolsonaro.
Os bolsonaristas perderam nas urnas e, por não suportarem a derrota, tentaram convencer as Forças Armadas a realizar uma intervenção militar para impedir que os eleitos tomassem posse. Como a investida golpista não teve eco entre os militares, agora recorrem ao governo dos Estados Unidos, no afã de interferir em decisões do Supremo Tribunal Federal que colocam em xeque os interesses dos extremistas.
As pessoas normais, que querem tocar a vida, trabalhar e viver com dignidade, não aderem a essas manifestações de pseudopatriotas que trabalham pelo infortúnio do país. É preciso que as pessoas sérias e todos aqueles que se preocupam com o país — dos trabalhadores aos representantes do chamado mercado financeiro — tenham noção dos riscos que os extremistas representam para nosso país. Àqueles que estão no espectro da direita, Bolsonaro deveria ser motivo de vergonha.