A crise econômica brasileira que ganhou força no atual governo em razão das constantes turbulências e equivocadas escolhas políticas do governo federal foi agravada pelos impactos da pandemia de Covid-19, que, da mesma forma que a economia, não foi bem tratada pela gestão Bolsonaro.
Se não bastasse, com a guerra iniciada por Putin contra a Ucrânia, o mundo inteiro deve sofrer os abalos econômicos do conflito, sobretudo o Brasil, que já não estava preparado para uma crise econômica antes mesmo da pandemia ou da guerra.
Os dados dos institutos oficiais e, principalmente, o bolso dos próprios cidadãos confirmam que praticamente tudo subiu, notadamente os itens mais básicos. Com a diminuição do poder de compra do brasileiro e com a escalada inflacionária, robusteceram-se os abismos sociais e milhões de brasileiros convivem com a insegurança alimentar e com a pobreza extrema.
Em meio à maior escalada inflacionária das últimas décadas no Brasil, de longe a mais grave desde a implantação do Plano Real, o efeito dominó da inflação tem levado muitos brasileiros a voltarem a cozinhar em fogões à lenha e à tentativa desesperada de aproveitar restos de alimentos que iriam para o lixo ou para animais.
Infelizmente o prognóstico dessa situação não é dos melhores, tanto em decorrência da incapacidade do atual governo em adotar as políticas públicas necessárias ao interesse coletivo, quanto em consequência dos impactos globais que a guerra na Ucrânia já está ocasionando.
O Brasil ainda possui grande dependência de fornecedores internacionais e se os preços aumentam internacionalmente, maior será o impacto para um país com uma moeda que se enfraqueceu muito em relação a outras moedas no acumulado dos últimos anos.
Importante seria, ao menos neste momento de dificuldades globais, que o governo federal abandonasse o proselitismo e o sectarismo político-ideológico para adotar uma postura séria em prol de adotar políticas públicas voltadas a assegurar o mínimo existencial ao cidadão brasileiro. Se hoje muitos já têm que escolher entre pagar contas e comprar comida, basta imaginar o caos social que ameaça o país.
Enquanto o governo federal continuar apenas pensando nas eleições de 2022 sem se preocupar com a escalada inflacionária, a insegurança alimentar será agravada e as desigualdades sociais crescerão cada vez mais, diminuindo a qualidade de vida do brasileiro, sobretudo, daqueles que já não tinham muita. Quem tem fome, tem pressa!
Num contexto tão grave quanto o atual, mais importantes se mostram as escolhas políticas definidas pelos representantes populares. “O analfabeto político” de Bertold Brecht é tão atual como se hoje houvesse sido escrito: “O custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.”.