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Democracia

Eleições de 2022 não podem se tornar um vale-tudo eleitoral

É imprescindível a consciência de que nem todos pensam da mesma forma e têm idênticas opiniões, porém, nem por isso, os divergentes são necessariamente mal-intencionados

Publicado em 29 de Julho de 2022 às 01:00

Públicado em 

29 jul 2022 às 01:00
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

caiocwneri@gmail.com

Um dos maiores desafios no processo eleitoral sempre foi assegurar igualdade de condições a todos os participantes do pleito. Por tal razão, o Direito brasileiro não autoriza a propaganda eleitoral antecipada ou a realização de showmícios e distribuição de brindes, nem legitima o abuso de poder político e econômico. Além disso, a Lei das Eleições estabelece atos vedados a agentes públicos durante as campanhas eleitorais.
O desafio intensificou-se após o pleito de 2018 e as eleições deste ano terão como inimigos em potencial as redes de desinformação e, principalmente, um clima de tensão, quiçá de ódio, que não se pode confundir com polarização. Desde 1994 até 2014, de fato, havia certa polarização entre PSDB e PT. Contudo, a polarização que existia até então não havia se convertido em violência, no máximo uma bolinha de papel arremessada contra José Serra nas eleições presidenciais de 2010.
Com uma postura quase que policialesca, muitos dos adeptos do bolsonarismo têm optado por uma discussão política quase que esquizofrênica, muitas vezes totalmente dissociada da realidade dos fatos. Nesse cenário, quem ousa questionar uma vírgula do que diz o governo, ainda que imbuído de alto senso republicano e com boas e sinceras intenções, corre o desnecessário risco de ser tratado como torcedor contra o Brasil ou inimigo da pátria, logo, associado ao grupo antagonista. Até parece que as atividades democrática e política são um jogo de futebol e os cidadãos, nas arquibancadas, devessem torcer contra um time e a favor de outro. Trata-se, em sua essência, de um indicativo do grau de amadurecimento democrático.
Após uma sequência de falas de instigação a ataques, como quando Bolsonaro defendia o fuzilamento da “petralhada” lá no Acre, parece que muitos se sentiram à vontade em ostentar uma postura de confrontamento em vez de debate. Diversos atos de pré-campanha eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já foram alvo de ataques de apoiadores de Bolsonaro, como a explosão de um artefato em comício no Rio de Janeiro e o arremesso de fezes e urina em outro evento em Minas Gerais. Isso sem o triste caso de Marcelo Arruda, morto a tiros por um bolsonarista que invadiu a festa de aniversário com temática petista.
É imprescindível a consciência de que nem todos pensam da mesma forma e têm idênticas opiniões, porém, nem por isso, os divergentes são necessariamente mal-intencionados, sobremaneira numa sociedade tão plural e globalizada. A pluralidade de ideias é, em verdade, salutar e indissociável do espírito verdadeiramente democrático, haja vista que os pensamentos contrapostos, se submetidos a um debate efetivo e sério, podem conduzir a um aprimoramento de posições ou, inclusive, a um consenso com conjugação de ações.
Torcer pelo Brasil é ter a maturidade democrática de reconhecer que governos são compostos por humanos, suscetíveis a erros ou reveses e, justamente por isso, deve-se ter a autonomia para apoiar acertos ou apontar eventuais ajustes a serem corrigidos.
As eleições de 2022 não podem se tornar um vale-tudo eleitoral. O dissenso de ideias e de ideologias não pode se traduzir em violência. Quem quiser chegar aos cargos eletivos deve fazê-lo pela via democrática, com respeito ao diálogo e ao resultado das urnas, jamais pela força ou com o artifício de usar mentiras. Aqueles que se opõem ao totalitarismo devem se unir, ainda que momentaneamente, para que a democracia esteja acima de tudo!

Caio Neri

E graduado em Direito pela Ufes e assessor juridico do Ministerio Publico Federal (MPF). Questoes de cidadania e sociedade tem destaque neste espaco.

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