Enquanto o Reino Unido já começou a vacinar seus cidadãos contra o coronavírus, no Brasil não há sequer um plano de imunização nacional definido, tampouco, agulhas e seringas para aplicar as vacinas quando elas, enfim, forem aprovadas pela Anvisa. Zero planejamento, zero preocupação com a saúde dos brasileiros e com a retomada econômica.
Bolsonaro, desde o início da pandemia, tenta negar a existência e a gravidade do coronavírus, num perigoso movimento negacionista e anticiência, que já contribuiu para a morte de quase 180 mil brasileiros. A falta de uma postura séria do governo federal transmite à população a falsa mensagem de que o coronavírus está sob controle, levando muitos a se comportarem como se o vírus não estivesse mais entre nós.
Se não bastasse a falta de ações do governo federal para frear a pandemia, tem circulado nas redes mais um vídeo em que o presidente ridiculariza o coronavírus, com tom jocoso contra aqueles que se preocupam com a doença, em total desrespeito às inúmeras famílias enlutadas. É a banalização do mal, não há outra razão para alguém fazer piada com uma doença que já ceifou a vida de tantas pessoas queridas. Nem governantes negacionistas como Donald Trump e Nicolás Maduro chegaram ao ponto de rir da morte de seus compatriotas!
Bolsonaro e seus seguidores, conhecidos por seu fanatismo que extrapola o campo da política, cultuam a cloroquina, a Ivermectina e a Azitromicina, medicamentos que são comprovadamente ineficazes contra o coronavírus, mas não acreditam no poder imunizante das vacinas. Na verdade, além de negarem a ineficácia dos citados remédios contra o coronavírus, bem como seus efeitos colaterais, levantam infundadas e levianas suspeitas quanto à segurança das vacinas.
Se não bastasse, externando sua xenofobia e deixando clara a predileção pela politicagem em detrimento da vida, o presidente e seus discípulos politizaram a vacina, assim como fizeram como o coronavírus em si. As críticas que fazem às vacinas são ainda maiores contra a Coronavac, não em razão de eventual falta de eficácia ou de segurança, mas tão somente porque a vacina é produzida por um laboratório chinês em parceria com o Instituto Butantan e temem que a aprovação de tal imunizante aumente a popularidade do governador João Dória.
Os negacionistas, sempre apegados a suas teorias conspiratórias, num nível delirante, parecem viver num mundo paralelo, questionam o saber científico e preferem acreditar em teorias mirabolantes. Para eles, uma notícia com a qual não concordam é tachada de fake news e as fake news que eles, por sua vez, disparam a todo momento, deveriam ser aceitas como verdades absolutas e inquestionáveis. Discordam até mesmo de dados objetivos e, para eles, pasme, o coronavírus não causa mortes e não passa de um alarde da mídia e dos cientistas.
Definitivamente, Bolsonaro e os negacionistas que o acompanham não estão preocupados com a vida dos brasileiros. A falácia que criam contra as vacinas é pura balela! Se estivessem apreensivos com efeitos adversos dos imunizantes, não aplaudiriam a liberação generalizada de agrotóxicos que outros países não permitem em suas agriculturas, muito menos insistiriam em remédios que não previnem ou combatem o coronavírus.
Enquanto o mundo inteiro espera ansiosamente as vacinas, o governo brasileiro insiste em rechaçá-las. O ministro da Saúde disse que compraria vacinas apenas se houvesse demanda, como se as quase 200 mil mortes fossem uma invenção. Querem, a todo custo, desincentivar os brasileiros a se vacinarem. Como não se importam com as vidas, é bom lembrar aos negacionistas que, enquanto o vírus circular livremente entre nós, a economia continuará impactada.
O governo brasileiro parece não querer a vacina, quer intoxicar todo mundo com cloroquina, não quer que usemos máscaras, quer que o comércio e demais atividades não essenciais funcionem sem qualquer restrição, incentiva as aglomerações… Ao que tudo indica, o governo de Jair Bolsonaro está do lado do vírus.
Quantas mais mortes serão necessárias para o governo federal defender a vida em vez de flertar com o vírus?