Em meio à pandemia do coronavírus, mentiras e desinformação são ameaças ainda mais perigosas. A sucessão de avanços tecnológicos ligados à internet, à telefonia móvel e à cultura digital como um todo, além de alterar o alcance dos meios tradicionais de comunicação, potencializou a democratização do acesso à informação (aspecto positivo que não pode deixar de ser consignado).
Entretanto, essa revolução da mídia, também traz desafios a serem enfrentados, dentre eles, as mentiras e a desinformação, que também atendem pelo nome de “fake news”. Aliás, se uma notícia é fake, isto é, mentirosa, não pode ser considerada propriamente uma notícia, haja vista que em vez de informar, ela desinforma e descredibiliza informações verdadeiras.
Nestes tempos de pandemia do coronavírus, muitas “informações” são falseadas, grande parte delas no intuito de fazer uso político da situação, numa tentativa leviana de minimizar os impactos sociais e de saúde ocasionados pela covid-19. Infelizmente, parcela expressiva dessas “fake news” são propagadas pelo próprio presidente da República e disseminadas pelos seus seguidores fanáticos, que reiteradamente tentam equiparar a pandemia a uma simples gripe, conflitando com orientações de organismos internacionais imparciais e com determinações adotadas por governantes (seja de esquerda ou de direita) da grande maioria dos países.
Desde o início da pandemia, Jair Bolsonaro tem manipulado informações técnicas e produzido postagens inverídicas, como aquela que indicava suposto desabastecimento, o que foi desmentido pela própria ministra da agricultura. Assim como o Twitter apagou postagens do ditador Nicolás Maduro, redes sociais deletaram postagens de Jair Bolsonaro que ofendiam as diretrizes, já que disseminavam inverdades, mentiras.
Cite-se, ainda, o episódio em que o presidente distorceu o discurso do diretor da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, dando a entender que a OMS defendeu o fim das medidas de isolamento, quando, na verdade, a mensagem oficial de Adhanom cobrava dos governos a adoção de medidas sociais com vistas a garantir o mínimo existencial àqueles que, no momento, estão sem condições de trabalhar.
Em vez de sancionar e efetivar com urgência o auxílio emergencial amplamente aprovado pelo Congresso Nacional, Bolsonaro insiste em conclamar os cidadãos a voltarem a circular normalmente pelas ruas, conduta irresponsável e inconsequente que, se seguida fosse, poderia ocasionar uma explosão no número de casos do coronavírus no Brasil, gerando colapso dos serviços públicos e também privados de saúde. Tanto é verdade que jornais internacionais criticaram fortemente a postura do presidente brasileiro.
Tudo isso sem contar aqueles que se aproveitam da situação para tentar aplicar golpes. Apesar das críticas costumeiras de bolsonaristas contra a ciência e a imprensa, a mídia é uma das fontes mais confiáveis, já que a função da imprensa, outra não é, senão, informar e esclarecer, ainda que as informações possam ser desfavoráveis ou entendidas como críticas ao governo.
Por fim, cabe aqui um esclarecimento, os artigos de opinião, como o presente, não são encomendados para prejudicar um ou outro político. Nunca recebi de A Gazeta nenhuma orientação para atacar ou defender um lado ou outro, pelo contrário, há liberdade de opinião. Mesmo porque, a imprensa séria, além de divulgar fatos e retratar a realidade, respeita a diversidade de opiniões, porque é democrática por essência.