Nesta semana, causou perplexidade a naturalização com que alguns tratam o nazismo, uma ideologia do espectro da extrema direita que ceifou a vida de milhões de pessoas. No episódio do Flow Podcast, Bruno Aiub, conhecido como Monark, sem qualquer constrangimento defendeu que o partido nazista deveria ser reconhecido pela lei, ao que foi acompanhado pelo deputado federal Kim Kataguiri, para quem a Alemanha teria errado ao criminalizar o partido nazista.
Diante disso, o procurador-geral da República determinou a abertura de uma investigação, já que a apologia ao nazismo é crime tipificado pela lei nº 7.716/1989.
Mas, lamentavelmente, muito embora a história não deixe dúvidas quanto ao viés criminoso e imoral de práticas como o antissemitismo e o racismo, tem chamado atenção que, nos últimos tempos, parece que as pessoas estão menos envergonhadas do que deveriam por propalarem seu pensamento e seu comportamento de ódio.
Desde a eleição de 2018, especificamente, pessoas racistas, homofóbicas e que nutrem todo tipo de intolerância à diversidade têm se sentido à vontade para expressar seus preconceitos como se naturais fossem.
A edição de 2022 do Big Brother Brasil, que reflete padrões sociais, também registrou alguns episódios nitidamente racistas. O primeiro deles foi quando as participantes Eslovênia, Bárbara e Laís, criticando a participante Natália, imitam um macaco na porta do banheiro enquanto Maria apenas observa. Nesta semana, mais uma vez, ao criticar Douglas Silva, outro participante negro do reality, Bárbara disse que ele faria o “samba do crioulo [doido]”, tendo interrompido a frase racista quando se lembrou que estava sendo filmada.
Talvez esses comportamentos racistas decorram de uma postura do próprio presidente da República que em vez de dar um bom exemplo à sociedade, milita em sentido contrário, tentando reavivar ideias e ideologias que os anais da história mostraram que não podem ser toleradas. Não foram uma ou duas vezes que pessoas diretamente ligadas ao presidente apelaram a simbologia ou frases racistas e nazistas.
Numa sessão do Senado Federal, o assessor internacional da Presidência da República, Filipe Martins, fez um gesto classificado pela Liga Antidifamação (ADL) como forma de identificação entre supremacistas brancos. Em janeiro de 2020, o ex-secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, utilizou, de modo adaptado, uma citação do ministro de propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels.
Em maio de 2020, alguns ex-companheiros de Bolsonaro, quando o presidente foi paraquedista das Forças Armadas, foram até o Palácio do Planalto e, ao saudarem o presidente, estenderam o braço direito para o alto e gritaram “Bolsonaro somos nós”. No mesmo mês, Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Allan dos Santos orquestraram tomar um copo de leite puro numa transmissão em redes sociais, o que remete a movimentos neonazistas americanos, que passaram a tomar leite como símbolo de uma pretensa supremacia branca.
Por fim, não se pode deixar de esquecer Sara Fernanda Giromini, que adotou o nome de Sara Winter para homenagear Sarah Winter, uma inglesa que se tornou espiã nazista e integrante da União Britânica de Fascistas. A Sara Winter brasileira organizou um grupo extremista que acampou na Esplanada dos Ministérios, atacou o Supremo Tribunal Federal e outras instituições e, durante suas marchas, os participantes do movimento extremista vestiam branco e seguravam tochas, à la Ku Klux Klan (KKK), movimento de supremacistas brancos norte-americanos.
Monark e Kataguiri não são casos isolados, mas, precisam ser satisfatoriamente reprimidos para que aqueles que defendem ou praticam o nazismo, o antissemitismo, o racismo, a homofobia e todas as formas de discriminação recebam a devida resposta da sociedade e das autoridades constituídas.