Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Dia da Mulher

Mulheres: luta por igualdade de direitos deve ser constante

O mundo do Direito não é estático. Felizmente, ele está em constante evolução, muitas vezes impulsionada pela pressão das lutas que ecoam do dia a dia

Publicado em 10 de Março de 2023 às 00:20

Públicado em 

10 mar 2023 às 00:20
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

caiocwneri@gmail.com

A despeito de certas controvérsias históricas sobre as origens da escolha do dia 8 de março para a celebração anual do Dia Internacional das Mulheres, ao menos desde o final do século XIX, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, já cresciam as lutas femininas por melhores condições de vida e de trabalho, bem como, o direito à participação política.
O Dia Internacional das Mulheres vai bem além da entrega de flores ou de uma visão romancista da data, trata-se de um dia de luta em busca, principalmente, por igualdade! Basta lembrar que, há não muito tempo, as mulheres não podiam votar ou serem votadas e dependiam da autorização de um homem para as atividades mais banais, como viajar ou estudar.

Assim como na biologia, o naturalista britânico Charles Darwin enfatizou a existência de uma teoria da evolução em que a mudança das características hereditárias de uma geração às outras leva à seleção natural, o mundo do Direito, igualmente, não é estático. Felizmente, o Direito está em constante evolução, muitas vezes impulsionada pela pressão das lutas que ecoam do dia a dia.            
No Brasil, segundo o Código Civil de 1916, que vigorou até 2002, as mulheres eram consideradas relativamente incapazes enquanto casadas e somente poderiam trabalhar ou receber herança caso o marido permitisse. Foi apenas em 1962 que uma alteração legislativa passou a permitir que elas pudessem trabalhar sem autorização do cônjuge.   
O direito ao voto, fundamental em qualquer democracia, apenas foi assegurado às mulheres em 1932, quando se tornou facultativo. Porém, a equiparação ao voto dos homens só veio a se concretizar anos depois, em 1965, escancarando que a conquista desse e de outros direitos não foi rápida ou instantânea.   
Por muito tempo o Direito brasileiro considerava que o fato de uma mulher ser “honesta” influiria em crimes dos quais ela fosse vítima. Obviamente, a “honestidade” era definida com base em ultrapassados critérios meramente patriarcais e nitidamente machistas.               
Avanço importante ocorreu em 1977, quando a lei passou a permitir o divórcio. No entanto, foi a Constituição Cidadã de 1988 que, ao menos no plano normativo, expressamente estabeleceu que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.             
A previsão constitucional, todavia, não bastou para que a igualdade formal se traduzisse em igualdade material, sendo necessárias novas leis em busca de isonomia e respeito. Interessante que muitas dessas alterações legislativas apenas vieram como resposta a fatos já ocorridos e danos já impostos a mulheres, citando-se, nesse sentido, a Lei Maria da Penha (aprovada em 2006), a Lei Carolina Dieckmann (sancionada em 2012 para combater crimes cibernéticos) e a Lei Joanna Maranhão (também de 2012 e que estende o prazo de prescrição dos crimes sexuais cometidos contra crianças e adolescentes).            
Nesta semana, o governo brasileiro apresentou proposta de lei que busca assegurar igualdade salarial a mulheres que desempenham as mesmas funções que os homens. Propostas legislativas e leis como as citadas são imprescindíveis, haja vista que, em pleno ano de 2023, muitas mulheres ainda são tratadas com múltiplas formas de desrespeito e violência, não só física, como moral, patrimonial e emocional, por exemplo.                 
Se até em espaços públicos as mulheres são ridicularizadas, como ocorrido na Câmara dos Deputados, quando o deputado Nikolas Ferreira fez discurso transfóbico no Dia Internacional da Mulher usando uma peruca com escopo jocoso, provas não restam de que a data não é romântica, senão a prova de que a luta por igualdade de direitos deve ser constante.

Caio Neri

E graduado em Direito pela Ufes e assessor juridico do Ministerio Publico Federal (MPF). Questoes de cidadania e sociedade tem destaque neste espaco.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Maranhão e Carlinhos, do Vitória-ES
Recém-chegados brilham no fim, e Vitória-ES vence o Porto Vitória na estreia da Copa Espírito Santo
Imagem de destaque
O julgamento coletivo em El Salvador que reúne centenas de acusados de integrar a gangue MS-13
Deputado federal Sóstenes Cavalcante
PL deve apoiar PEC 6x1, mas quer novo regime de contratação e compensação

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados