Pouco após celebrar a missa de Páscoa e abençoar os fiéis em um passeio surpresa a bordo do papamóvel, mesmo com a saúde física debilitada, chocou a todos o falecimento do Papa Francisco. Mais do que o líder supremo da Igreja Católica Apostólica Romana, Francisco cumpriu com louvor a missão que lhe foi confiada após o conclave que, em 13 de março de 2013, o tornou não apenas o único papa latino-americano da história, mas também o primeiro pontífice não nascido na Europa em mais de mil e duzentos anos.
Ao longo desses doze anos de papado, o Santo Padre, além de ser o líder espiritual e religioso dos católicos, contribuiu de maneira significativa para a defesa da tolerância, do diálogo e do acolhimento. Em um contexto marcado pelo agravamento das tensões globais, pela escalada de conflitos armados e pela disseminação de discursos de ódio e sectarismo, Sua Santidade destacou-se como um autêntico mensageiro da paz, cujos pronunciamentos transcenderam as fronteiras do Vaticano, ressoando em todos os continentes e nos mais variados credos.
"Ser homossexual não é crime. Mas é pecado. Tudo bem, porém é preciso distinguir entre pecado e crime", afirmou o Papa Francisco em 2023, durante entrevista exclusiva à Associated Press. O pontífice ainda acrescentou, com sabedoria: "Também é pecado faltar com a caridade para com o próximo". Declarações como essas apenas ampliaram a admiração pelo Papa Francisco, estendendo-se até mesmo além do círculo de fiéis católicos.
Não por acaso, lideranças das mais diversas religiões manifestaram seu pesar pela partida do pontífice, que exerceu um papel crucial não apenas na condução da Igreja Católica, mas também no progresso moral da humanidade. Contudo, sua postura considerada reformista e mais alinhada aos dilemas da sociedade contemporânea também o tornou alvo de críticas, inclusive entre os setores mais conservadores da própria instituição religiosa. Apesar disso, nunca lhe faltou a coragem necessária para implementar as transformações que os novos tempos exigiam.
Ao acolher pessoas LGBTQIA+, posicionar-se veementemente contra os conflitos bélicos, lavar os pés de detentos e ao promover a equidade de gênero dentro da Santa Sé - inclusive autorizando que mulheres ocupassem cargos antes restritos a homens -, Francisco não apenas reconectou a Igreja com seus fiéis, mas com a sociedade como um todo, já que sua mensagem de amor e inclusão transcendia barreiras confessionais.
Neste momento de despedida ao papa cujo legado incluiu, além de suas conquistas pastorais, um singular bom humor e uma abordagem leve diante da vida, permanece a esperança de que o próximo conclave eleja uma liderança que dê continuidade não apenas à sabedoria, mas sobretudo à profunda humanidade que marcou o inestimável legado de Francisco.