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Política

Reunião ministerial: Planalto virou espaço da pior espécie de balbúrdia

Bolsonaro nunca teve nenhuma preocupação com o decoro, pelo contrário, sempre escolheu um discurso agressivo, nada polido. Na tentativa de parecer o “diferentão”, Bolsonaro assumiu o posto de presidente mais bizarro da história do Brasil

Publicado em 29 de Maio de 2020 às 05:00

Públicado em 

29 mai 2020 às 05:00
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

caiocwneri@gmail.com

Reunião ministerial
Reunião ministerial do dia 22 de abril Crédito: Reprodução de vídeo
A reunião ministerial de 22 de abril não foi apenas marcada pelo linguajar chulo e totalmente incompatível com a dignidade dos importantes cargos ocupados pelo presidente da República e pelos ministros de Estado. Mesmo porque, Jair Bolsonaro foi eleito pelo estilo teratológico, conquanto tente se autodeclarar o guardião dos valores familiares, da moral e dos bons costumes.
Bolsonaro nunca teve nenhuma preocupação com o decoro, pelo contrário, sempre escolheu um discurso agressivo, nada polido. O atual presidente foi um militar insubordinado, o que levou a deixar as carreiras militares para tentar ganhar a vida no meio político, quando assumiu uma artificial roupagem de político alheio ao establishment. Na tentativa de parecer o “diferentão”, Bolsonaro acabou assumindo o posto de presidente mais bizarro da história do Brasil.
Além do total desapego à liturgia, o vídeo da reunião ministerial deixou claro que não havia entre os presentes nenhuma preocupação com os reais problemas da sociedade brasileira, tampouco, com o expressivo número de pessoas que estão perdendo as vidas para o coronavírus. O que se viu foi uma série de falas criminosas, irresponsáveis, insidiosas e totalitárias, vindas de pessoas que não têm nenhuma preocupação com país, mas apenas e tão somente com interesses claramente pessoais e políticos.
A reunião foi dominada por aquilo que Bolsonaro tanto diz querer combater: o viés ideológico. O viés ideológico da reunião foi a ideologia do totalitarismo, da baixaria e do atraso. Bolsonaro tem tanta fixação na Venezuela que quer fazer do Brasil uma Venezuela para chamar de sua: fechamento do Congresso, prender membros do Judiciário e adversários políticos, perseguição a jornalistas e à imprensa, uso das forças estatais para fins particulares, metralhar opositores.
Talvez por isso, em 1999, quando deputado federal, Bolsonaro elogiou o ditador Hugo Chávez, ao dizer: “Chávez é uma esperança para a América Latina e gostaria muito que essa filosofia chegasse ao Brasil”.
Bolsonaro segue o modus operandi de ditadores como Chávez e Maduro: xingou governadores considerados adversários, disse que iria interferir para proteger sua família e amigos, confessou ter um "sistema particular" de informações, o que é ilegal, provavelmente de origem miliciana. Fez questão de escolher ministros que reproduzem seu discurso totalitário, notadamente porque quem pensa diferente é tratado como inimigo.
Inclusive, cabe aqui uma observação quanto ao grau de fluidez dos extremistas: pessoas que antes eram tratadas como heróis, do dia para a noite, transformam-se em vilões, exemplo personificado por Moro. Nisso, os bolsonaristas aproximam-se dos petistas: os mesmos que hoje odeiam a Rede Globo, anos atrás, aplaudiam exaustivamente a emissora.
Voltando aos ministros crias do totalitarismo, cite-se o da Educação, Abraham Weintraub, para quem, os ministros do STF deveriam ser presos. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que considera a cobertura pelas mortes causadas pelo coronavírus como o momento de “tranquilidade” para passar "a boiada", isto é, abolir de forma escondida as regras de proteção ambiental. Aliás, de boiada e gado eles entendem bem. A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que quer a prisão de prefeitos e governadores que adotaram medidas contra o coronavírus.
" Parece que o Palácio do Planalto se transformou na 'Casa de mãe Joana', um espaço da pior espécie de balbúrdia. Temos um ministro da Educação sem educação, um ministro do Meio Ambiente que quer a derrubada de florestas e o fim de recursos naturais, uma ministra da Família que quer ressuscitar a Idade das Trevas"
Caio Neri - Articulista
Parece que o Palácio do Planalto se transformou na "Casa de mãe Joana", um espaço da pior espécie de balbúrdia. Temos um ministro da Educação sem educação, um ministro do Meio Ambiente que quer a derrubada de florestas e o fim de recursos naturais, uma ministra da Família que quer ressuscitar a Idade das Trevas. Todos sob o comando de um presidente que idolatra milicianos, ditadores e torturadores.

Caio Neri

E graduado em Direito pela Ufes e assessor juridico do Ministerio Publico Federal (MPF). Questoes de cidadania e sociedade tem destaque neste espaco.

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