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Mobilidade

Transcol: tarifas sobem, problemas continuam

Por coerência e paridade, assim como as empresas fazem jus ao cumprimento do contrato de concessão no que diz respeito aos reajustes anuais, o usuário do sistema Transcol tem o direito de cobrar por um serviço de mais qualidade continuamente
Caio Neri

Publicado em 

16 jan 2026 às 04:15

Publicado em 16 de Janeiro de 2026 às 07:15

Também fazem parte do calendário do capixaba aumentos anuais no valor das tarifas cobradas pelo sistema Transcol. Na última segunda-feira (12), o Conselho Tarifário aprovou mais um reajuste: a tarifa dos dias úteis passou de R$ 4,90 para R$ 5,10, um aumento de 4,08%, valor ainda ligeiramente abaixo da inflação acumulada no período, medida pelo IPCA em 4,46%.
O reajuste considerou, entre outras variáveis, a alta no preço dos combustíveis e insumos, bem como a variação do salário pago aos trabalhadores das empresas de transporte coletivo. Além disso, os contratos de concessão do sistema Transcol preveem a revisão anual do valor das tarifas. Contra números, em teoria, não há argumentos. Contudo, a simples previsão contratual não torna menos doloroso o impacto no bolso dos usuários, sobretudo diante de problemas de qualidade e de oferta de serviços.
Se, por um lado, o reajuste está previsto em normas contratuais e, por outro, há um cenário que justifica o aumento, não havia alternativa senão elevar o valor da tarifa. Todavia, se o reajuste do preço das passagens é juridicamente válido, são igualmente legítimas as reclamações dos usuários do sistema Transcol.
Além das altas tarifas pagas pelo usuário, não se pode esquecer que o Transcol conta com um aporte de subsídios públicos da ordem de centenas de milhões de reais por ano, repassados pelo Governo do Espírito Santo às empresas de transporte coletivo, para manter a tarifa técnica e custear gratuidades legais. Em 2025, por exemplo, os empresários receberam subsídios estaduais de cerca de R$ 335 milhões.
Apesar desses aportes vultosos, a combinação de tarifas e subsídios públicos não tem impedido que ônibus lotados continuem sendo um problema constante, mesmo nos horários tidos como menos movimentados, a depender da linha. Isso sem contar as diversas reclamações sobre longas esperas entre os ônibus, falta de espaços adequados para embarque e desembarque, necessidade de maior higienização de veículos e terminais, e o clima de insegurança e violência dentro dos coletivos.
Apesar do conhecido e reiterado argumento de que a tarifa do transporte público na Grande Vitória não é mais alta que nas outras capitais do Sudeste, é inequívoco que a qualidade do Sistema Transcol ainda está longe da excelência. E o agravante é ainda maior quando se lembra do grau de dependência dos ônibus como modal de transporte coletivo, já que não há metrô no Estado e o transporte aquaviário, apesar de integrado, vem se mostrando mais voltado ao turismo do que uma alternativa eficaz para o cidadão comum.
Soma-se a isso o fato de que quase um terço da frota ainda não ser climatizada, algo que não se trata de mero capricho, mas de necessidade, principalmente quando os dias ficam cada vez mais quentes. Resta aguardar que se cumpra a promessa de que o Sistema Transcol ganhará 234 novos ônibus até o fim de 2026, o que representará aumento muito bem vindo da frota.
Ônibus do Sistema Transcol
Ônibus do Sistema Transcol Crédito: Carlos Alberto Silva
Nos debates orçamentários da Assembleia Legislativa para 2026, deputados como Camila Valadão enfatizaram a necessidade de destinar recursos que garantam não apenas a manutenção operacional do transporte, mas também investimentos que melhorem efetivamente a mobilidade urbana e os serviços aos usuários, questionando, por exemplo, se o orçamento estadual de cerca de R$ 32 bilhões para o próximo ano está sendo adequado na priorização de políticas públicas como mobilidade e transporte coletivo.
Por coerência e paridade, assim como as empresas fazem jus ao cumprimento do contrato de concessão no que diz respeito aos reajustes anuais, o usuário do sistema Transcol tem o direito de cobrar por um serviço de mais qualidade continuamente. Assim como os reajustes estão previstos todos os anos, a cobrança pela qualidade dos serviços deve ser igualmente constante e incisiva.
Para que o transporte público seja mais atrativo que o privado, é fundamental que o transporte coletivo tenha, minimamente, condições dignas de uso, com tarifas justas, frota adequada, segurança, conforto e pontualidade. Sem isso, aumentos anuais se traduzem apenas em mais um peso no orçamento familiar, com benefícios mínimos para a vida dos capixabas.
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