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Meio ambiente

Ufes e saneamento: ainda esperamos a unidade de conservação

As obras de saneamento são um bom sinal. A Universidade tem a tarefa urgente e inadiável de ir além da obra em curso e buscar, com máxima prioridade, a solução definitiva para o tratamento de todos os efluentes e, finalmente, cumprir a Resolução de 2005
Caio Neri

Publicado em 

09 jan 2026 às 03:00

Publicado em 09 de Janeiro de 2026 às 06:00

Conforme A Gazeta noticiou no início desta semana, após anos sem solução para um problema antigo na rede de esgoto, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) deu início às obras de saneamento básico em seu principal campus, o de Goiabeiras, com mudanças previstas nas redes de água, drenagem e esgoto.
É muito intrigante e grave que, há anos, o esgoto da universidade, especialmente do Restaurante Universitário (RU), segue para um sistema de fossa e filtro biológico implantado em 1954, sem o devido tratamento ou licenciamento ambiental. Essa medida, ainda que tardia, é um primeiro passo para resolver uma situação crítica, mas está longe de sanar toda a dívida ambiental dessa instituição, fundamental para o Espírito Santo e para o país.
Há quase vinte anos, mais precisamente em 2005, o Conselho Universitário da Ufes aprovou a Resolução nº 47, comprometendo-se a criar e implementar uma unidade de conservação em parte da área do campus universitário Alaor de Queiroz Araújo. Passadas quase duas décadas, essa promessa ainda não saiu do papel. Esse descumprimento é simbólico de uma postura mais ampla da universidade em relação ao seu entorno ecológico.
O campus de Goiabeiras está literalmente inserido em um ecossistema frágil e vital: o manguezal. Esse bioma é um berçário essencial para a fauna e guarda profunda relação com a cultura capixaba. No entanto, relatórios técnicos da própria Ufes, de 2021, atestam que a estrutura de esgoto antiga resulta diretamente em impactos ambientais, como a poluição da Lagoa da Ufes, o risco de contaminação dos lençóis freáticos e possíveis danos à fauna e à flora do manguezal que a circunda.
Os técnicos foram categóricos: o uso extensivo do sistema fossa-filtro, sem licença ou monitoramento, coloca a universidade na iminência de cometer crime ambiental, conforme a Lei nº 9.605.
Campus da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em Goiabeiras
Campus da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em Goiabeiras Crédito: Vitor Jubini
Os manguezais são fundamentais para o equilíbrio ecológico, um verdadeiro berçário para o nascimento e desenvolvimento de diversas espécies da fauna. Vitória tem uma das maiores áreas de manguezal em ambiente urbano em todo o país, e o mangue representa cerca de 10% do território da Capital.
Além da inequívoca relevância ambiental, o mangue também guarda forte relação com a cultura capixaba. É dele que se extrai o tanino, amplamente utilizado na confecção das tradicionais panelas de barro, primeiro bem cultural registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial.
As obras de saneamento na Ufes são um bom sinal. A Universidade tem a tarefa urgente e inadiável de ir além da obra em curso e buscar, com máxima prioridade, a solução definitiva para o tratamento de todos os efluentes e, finalmente, cumprir a Resolução de 2005, criando a prometida unidade de conservação. A excelência acadêmica deve andar de mãos dadas com o respeito à legalidade, ao patrimônio público e, acima de tudo, ao meio ambiente.
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