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Meio ambiente

Ufes precisa cuidar de seu esgoto e do mangue

É urgente que a administração da universidade dê à questão a importância necessária. Caberá ao novo reitor da Ufes buscar, incessantemente, os recursos imprescindíveis ao correto tratamento do esgoto

Publicado em 22 de Março de 2024 às 01:30

Públicado em 

22 mar 2024 às 01:30
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

caiocwneri@gmail.com

Em 2005, o Conselho Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) aprovou a Resolução nº 47, resolvendo “criar e implementar uma unidade de conservação em parte da área do campus universitário Alaor de Queiroz Araújo”, em Goiabeiras, Vitória. Entretanto, passadas quase duas décadas desde então, a Ufes ainda não cumpriu sua própria Resolução nem demonstra disposição para tanto.
Além de não ter cumprido a promessa de uma área de conservação no campus de Goiabeiras, a Ufes também falha bastante quando se trata de preservação ambiental nos espaços por ela ocupada. A situação gera maior preocupação quando se lembra que o campus de Goiabeiras está literalmente cercado pelo mangue. Não é incomum ver caranguejos pelos espaços da Ufes, em especial nos períodos de andada.
Os manguezais são fundamentais para o equilíbrio ecológico, um verdadeiro berçário para o nascimento e desenvolvimento de diversas espécies da fauna. Vitória tem uma das maiores áreas de manguezal em ambiente urbano em todo o país e o mangue representa cerca de 10% do território da capital.
Além da inequívoca relevância ambiental, o mangue também guarda forte relação com a cultura capixaba. É dele que se extrai o tanino, amplamente utilizado na confecção das tradicionais panelas de barro – primeiro bem cultural registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial.
Reportagens de A Gazeta já destacaram que resíduos da Ufes, isto é, esgoto, não são devidamente tratados, apresentando sério risco de contaminação do lençol freático, da lagoa e do mangue que envolve a cidade universitária. A propósito, o principal campus da Ufes, o de Goiabeiras, nem sequer está ligado à rede de esgoto da Cesan. Em março do ano passado, um convênio foi assinado para realizar essa ligação. Enquanto isso, em pleno ano de 2024, o esgoto da Ufes ainda vai para fossas sépticas.
Apesar de ter, em seu quadro, os mais renomados especialistas do Espírito Santo, a Ufes ainda não tem conseguido cuidar adequadamente das questões ambientais em suas áreas. Logo a universidade que deveria dar o exemplo de conservação ambiental.
Ufes, Vitória, ES
Ufes Crédito: Ricardo Medeiros
É urgente que a administração da universidade dê à questão a importância necessária. Caberá ao novo reitor da Ufes buscar, incessantemente, os recursos imprescindíveis ao correto tratamento do esgoto,  a conservação do mangue no campus de Goiabeiras e o cumprimento da Resolução que prevê a criação de uma unidade de conservação na universidade. Essas deveriam ser algumas de suas prioridades.
Não basta à Ufes ser exemplo quando se trata de ensino, pesquisa ou extensão. A universidade precisa guiar sua atuação pelo respeito à legalidade e zelar pelo bom trato da coisa pública e respeito ao meio ambiente.

Caio Neri

E graduado em Direito pela Ufes e assessor juridico do Ministerio Publico Federal (MPF). Questoes de cidadania e sociedade tem destaque neste espaco.

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