Há tempos o Espírito Santo figura como líder nacional nas exportações brasileiras de rochas ornamentais, representando cerca de 80% das exportações do país. Nos últimos dias, veio a público a notícia de que a tradicional Vitória Stone Fair passará a acontecer em São Paulo e terá um novo nome: Marmomac.
Segundo os organizadores da feira, entre os fatores que impulsionaram a mudança de Vitória para São Paulo está a necessidade de se aproximar do mercado, buscando, assim, novas oportunidades de negócios. Além disso, outro aspecto levado em consideração são as condições do Pavilhão de Carapina, já que o Espírito Santo não dispõe de um centro de convenções de padrão internacional, com infraestrutura de qualidade para receber um evento desse porte.
Apesar de a mudança da feira para São Paulo, de fato, poder contribuir com o aumento do fluxo de negócios no setor de rochas ornamentais, não se pode deixar de destacar que, por outro lado, o Espírito Santo e a cidade de Vitória também podem sair perdendo.
Num Estado com poucos eventos de grande porte, a Vitória Stone Fair possui inegável impacto no setor hoteleiro e de turismo no Espírito Santo, sobretudo o chamado turismo de negócios. Era uma das escassas oportunidades em que o capixaba podia receber e se apresentar para empresários, turistas e lideranças de várias partes do mundo.
No que pese os organizadores informarem que não se trata do fim da Vitória Stone Fair, ao argumento de que se tivermos um centro de convenções de padrão internacional, novas edições poderão ser realizadas na capital capixaba, ao menos por um tempo, a Vitória Stone Fair deixará de existir. Não será realizada em Vitória e até mudará de nome.
A saída da Stone Fair de Vitória deveria sim ser vista também com preocupação, era importante chamariz para a Capital e todo o Estado. É inconcebível que não tenhamos ainda condições de receber eventos de maior porte.
No ano passado o governo do Estado até buscou, sem êxito, conceder o Pavilhão de Carapina à iniciativa privada. Resta, ainda, a promessa de investimentos estaduais na ordem de R$ 100 milhões para a construção de um verdadeiro centro de convenções naquele mesmo espaço territorial.
É preciso agilidade para a conclusão dos investimentos, já que as estimativas iniciais são de que a estrutura seja entregue após 2026. Se não bastasse a diminuição de voos no aeroporto de Vitória após as restrições a voos diretos ao Santos Dumont, os capixabas não podem se isolar ainda mais do Brasil e do mundo. É urgente fomentar o turismo de negócios, porque ele gera oportunidades, emprego e renda.