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Comportamento

Quarentena e a sexualidade

"Quando ficamos distantes temos o desejo ocasionado pela falta. Ao ficarmos 24 horas juntos isso diminui. E sempre deixamos para o amanhã. Convivência contínua para uma sociedade separada traz conflitos"

Publicado em 13 de Abril de 2020 às 17:47

Públicado em 

13 abr 2020 às 17:47
Carlos Boechat

Colunista

Carlos Boechat

carlosboechat@ebrnet.com.br

Sexólogo responde: briga de casal se resolve na cama?
"A quarentena pode ser o grande momento para conversas reservadas" Crédito: Reprodução/ Instagram
Nestes tempos de isolamento social causado pela pandemia da COVID-19, quase todas as rotinas do lar, das empresas e das famílias modificaram-se drasticamente. Empregados foram demitidos, muitos estão trabalhando em home office e ainda tem a angústia do isolamento e o medo da contaminação.
Todos os integrantes da família estão em casa, passaram a ocupar, juntos, o mesmo espaço e o mesmo tempo. E por mais que a internet continue a nos manter no lugar individual, a rotina e os hábitos de cada um causam estranheza, principalmente nos pais que ficavam fora todos os dias.
Namorados de longa data, eles estavam distantes, cada um em seu “bunker de proteção”, namorando no automático, quando o cansaço permitia. Com a quarentena isso mudou. Casais que tinham o hábito de fazer amor uma vez por semana, em função de suas atividades externas, agora podem fazer a cada desejo. Outros preferem se isolar com toda a família, nuclear e extensa, não tendo espaço pra nada, nem sequer ler, ficar em silêncio ou até mesmo respirar. Fazer sexo, então, nem pensar! E tem ainda aqueles que vão para casa de suas namoradas(os) - e se distanciam de suas famílias, criando assim a ausência, a saudade e os conflitos - achando: “Que ótimo! Vamos transar o tempo todo!”.
Mas não é bem assim. Quando ficamos distantes temos o desejo ocasionado pela falta. Ao ficarmos 24 horas juntos isso diminui. E sempre deixamos para o amanhã. Convivência contínua para uma sociedade separada traz conflitos. Na primeira semana parece férias. Mas em 15 dias de convívio diário começamos a mostrar nossos lados - todos, inclusive o perverso, o egoísta.
Viver com a pessoa amada, fazer amor em vários locais da casa, se sentir mais sexy e livre... Isso acontece com casais sem filhos e família grande. O comum é acontece o seguinte: filhos em casa irritados, sem brincar, música alta, excesso do tédio com os filmes já vistos, nada de novidades. Isso e muito mais coisas dificultam nosso encontro, nossa intimidade. Muitos casais não trancam seus quartos e fazem amor com os filhos acordados, esperando que eles durmam. E, como eles, também estão entediados, demoram a dormir. E o fim de semana de amor tão esperado nunca chega. Desejamos o fim do isolamento para podermos encontrar com nosso amor. Contudo, o a quarentena pode ser o grande momento para conversas reservadas, carinhos que podem ser exibidos na frente dos filhos, treinar a afetividade e a sensualidade. Passar mensagens eróticas e sensuais pelo whatsapp. Aos solteiros é o momento de rever suas prioridades, o isolamento nos coloca em contato com nós mesmos e, se dermos conta, poderemos projetar novas e reais possibilidades. Aprendemos a perder a liberdade e o ônus e o bônus desse processo.
Ver toda hora as estatísticas de morte, a aproximação da mesma de nossa cidade, as fakes news que nos apavoram... Tudo isso e muito mais nos afasta de amor, do desejo, do sexo. E, assim, aumentando ainda mais nossa angústia. Se não nos colocarmos a frente de nós mesmos, e atentos ao que sentimos, perderemos o desejo, a intimidade. Então, dr., tudo é sexo? Não. Claro que não! Nesse momento a prática sexual é a de menor importância. Mas o prazer do carinho, do toque, do olhar, do banho juntos... Isso é se certificar do que conquistamos na vida. Tudo isso nos alimenta. E se desse alimento surgir a possibilidade de um orgasmo, ótimo. Caso contrário, tivemos os prazeres possíveis e isso sim faz a diferença.

Carlos Boechat

É psicólogo formado em Brasília, sexólogo e terapeuta de casais. É educador de sexualidade em escolas da rede pública e privada e pai da Stephenie

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