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Justiça

Emoção, regra e República: é lindo ver a lei sendo cumprida “cegamente”

Podemos passar horas, dias e até meses discutindo a pertinência e a “justiça” – isso é legítimo e saudável. A única coisa que não podemos é descumprir a norma enquanto ela estiver em vigor

Publicado em 10 de Setembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

10 set 2020 às 05:00
Danilo Carneiro

Colunista

Danilo Carneiro

dcarneiro@redegazeta.com.br

O tenista Novak Djokovic acerta bolada em juíza e é desclassificado do US Open
Tenista Novak Djokovic acerta bolada em juíza e é desclassificado do US Open Crédito: Reuters/Folhapress
No último domingo (6), o mundo do tênis (esporte) deu uma maravilhosa aula sobre República, lei e ordem. Terminado o game, um dos jogadores foi tomado por intensa frustração e descontou na “bolinha”; lançando-a, com uma raquetada, para a lateral da quadra. Infortúnio de todos, sobretudo dele, a bola acertou em cheio o pescoço da juíza de linha. Seguiu-se uma conversa entre os árbitros centrais, o jogador foi ouvido, e, anunciaram o “único” resultado possível diante do acontecimento/regulamento: a desclassificação!
Até aqui, podem pensar, nada há de extraordinário. Verdade! Não fosse o fato de que o jogador desclassificado era Novak Djokovic, número 1 do mundo, todo poderoso, bilionário, carismático e, praticamente, uma lenda viva. Ah, e o torneio era o aberto dos Estados Unidos (US Open) um dos mais importantes do circuito.
Não houve qualquer lesão e sequer a bola foi lançada em alta velocidade. O problema, para ele, é que existe um “detalhe” chamado regulamento que, nesse esporte, costuma ser respeitado por jogadores, juízes, organizadores e até pelo público. A regra é muito clara no sentido de que qualquer meio de extravasar emoções que atinja alguém dentro ou fora da quadra deve receber punição imediata. Não importa a intenção.
Podemos passar horas, dias e até meses discutindo a pertinência e a “justiça” dessa norma – isso é legítimo e saudável. A única coisa que não podemos é descumprir a norma enquanto ela estiver em vigor. Não importa se você é filho do presidente da República, primeira-dama, Palocci, Queiroz ou um grande empresário. É lindo ver a lei sendo cumprida “cegamente”.
Na mitologia grega, Nomos é a divindade das leis, estatutos e normas. Para ter equilíbrio, casou-se com Eusébia (deusa da Piedade). Ele também é pai de Dice (deusa da justiça e vingadora das violações da lei). Isto encanta os latinos. A lei dura, acompanhada da piedade e de uma vigília permanente. É o que a nossa ignorância tropical costuma chamar de “justiça”. E assim, corrompemos os conceitos de Direito, Justiça e piedade.
Some-se ao fato de que a religião, por longo tempo, tomou para si o monopólio do perdão o que a tornou extremamente poderosa na formatação do tecido das mais diversas sociedades (especialmente a nossa). Por aqui, é muito comum ouvir que fulano “merece” perdão. Já se disse que o perdão só existe mesmo é para quem não merece, pois se merecesse não seria perdão, seria justiça.
Voltando ao jogo, a minha filha observou: Mas pai, isso não é justo, não foi intencional. E eu, tentando cumprir a função de educador: Filha, injusto mesmo é quando a lei não é para todo mundo. Em resumo, injusto é não cumprir a lei.
Ao mesmo tempo, lembrei de um cacique da política nordestina que, parafraseando Maquiavel, disse: “Aos inimigos, os rigores da lei; aos amigos, os favores da lei. Mas sempre a lei”! Enquanto não incorporarmos a ideia de que a lei é abstrata e que concretos são apenas os fatos, jamais poderemos ser chamados de "República” Federativa do Brasil. Fosse como no tênis, teríamos muitos desclassificados, principalmente nas eleições que estão por vir.
Mas o ideal mesmo, para os infratores, seria uma bolada pedagógica, a 220 km/h, bem no pescoço. Matar não iria... mas seria uma “justa” advertência! Só para constar, no dia seguinte, Djocovic pediu desculpas e prometeu mudar a atitude. Melhor do que isso, não fica!

Danilo Carneiro

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