Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Judiciário

Quem desrespeita o STF nega a democracia e deve pagar por isso

Criamos um Supremo Tribunal Federal, com 11 cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, escolhidos pelo presidente e aprovados no Senado. A ele entregamos a defesa da Constituição

Publicado em 17 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

17 jun 2020 às 05:00
Delfim Netto

Colunista

Delfim Netto

ideias.consult@uol.com.br

A Justiça é uma escultura localizada em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal, em Brasília,i feita em 1961 pelo artista plástico mineiro Alfredo Ceschiatt
A Justiça é uma escultura localizada em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, feita em 1961 pelo artista plástico mineiro Alfredo Ceschiatt Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agênci
Os 18 meses do governo Bolsonaro permitem classificar a sua pessoa física — sem violar a liturgia do cargo — como uma contradição ambulante. Não deve ser julgado pelo que pensa nem, muito menos, pela sinceridade com que diz o que pensa, mas por suas reações   — empiricamente verificáveis — aos problemas que pretendeu resolver, frequentemente com insucesso. Uma das mais visíveis contradições é entre a sua palavra de "democrata" ("a Constituição garante a plena liberdade de manifestação") e o seu comportamento "fascista" ("A Constituição sou Eu!").
No processo de aprendizado do delicado exercício da democracia, os Três Poderes da República têm testado os seus limites, o que leva, inevitavelmente, à judicialização do exercício da política e à sua reação, a "politização da atividade judicante". Não é, entretanto, jabuticaba nacional. É um fenômeno que ocorre em todas as repúblicas democráticas que praticam o Estado de Direito, o que as levou a criar mecanismos para mitigá-lo.
Nossa solução foi criar um Supremo Tribunal Federal, com 11 cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, escolhidos pelo presidente da República e aprovados por maioria absoluta no Senado. A ele entregamos, precipuamente, a defesa da Constituição, ou seja, das nossas liberdades.
Para os constituintes céticos e jejunos em direito constitucional, era difícil acreditar que tal "sacralização" pudesse transformar mesmo o mais ético dos juristas num "santo" a quem deviam confiar a proteção da sua liberdade. A sua "conversão" foi produzida pelos argumentos dos constituintes juristas. Onze cidadãos brasileiros respeitáveis, para os quais a nação concedeu a suprema honra de guardiões da Constituição, teriam argumentos e contra-argumentos para afinal decidir — por maioria — a solução que melhor obedece à letra e ao espírito dos constituintes.
Por construção, portanto, o Supremo só é supremo quando decide no Pleno, porque é aí que emerge a decisão majoritária fruto do amplo contraditório. É por isso que a divergência argumentativa dos ministros é bem-vinda e esperada. Ilumina a solução.
Infelizmente, foi preciso que a "desarmonia entre os Poderes" chegasse ao insuportável nível atual para que o STF atentasse para a possibilidade de um eventual excesso de seu poder sobre os outros quando decide monocraticamente. Pode ser contestado, mas não desobedecido. Só as decisões do Pleno são pacificadoras: elas obrigam, definitivamente, mesmo a quem desagradam.
É esse Supremo o "garante" das nossas liberdades. Quem o desrespeita nega a democracia e deve pagar por isso.

Delfim Netto

Delfim Netto é um dos colunistas de A Gazeta

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Vacina da gripe
Por que é necessário tomar a vacina contra gripe todo ano?
Imagem Edicase Brasil
Como está o clima do agronegócio para 2026?
Ana Paula Renault na casa do BBB
BBB 26: Ana Paula relembra conversa com o pai antes de entrar no programa

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados