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Elon Musk, o STF e a defesa da democracia: Brasil mostra sua força

O Brasil saiu vitorioso e o STF, guardião da Constituição, mostra mais uma vez que a afronta aos pilares da democracia não será tolerada, ainda que essa tentativa venha sob a ameaça tirânica e assustadoramente onipotente do homem mais rico do planeta

Publicado em 03 de Setembro de 2024 às 01:30

Públicado em 

03 set 2024 às 01:30
Elda Bussinguer

Colunista

Elda Bussinguer

elda.cab@gmail.com

A democracia venceu o primeiro round na luta contra Elon Musk, o trilionário capitalista que almeja sentar no trono do planeta Terra, como “deus” todo poderoso a comandar as nações que deverão estar submetidas à sua vontade predatória, arrogante e sem qualquer limite ético.
Independentemente da opinião racional, e não emocional, que se tenha sobre o ministro Alexandre de Moraes, o certo é que ele foi capaz de enfrentar, com coragem e determinação, a despeito dos riscos envolvidos, o todo poderoso Elon Musk que desafia a democracia e se coloca como tendo o poder de definir os rumos das eleições em qualquer país do mundo.
O certo é que poucos acreditavam que a batalha jurídica entre o STF e Elon Musk fosse terminar com a derrubada da Plataforma X, como havia decidido o ministro Moraes.
Por mais que se queira criticar as posições jurídicas de Moraes, e a extrema direita fez isso com força, utilizando-se das redes sociais que tão bem maneja, não há hermenêutica capaz de sustentar o descumprimento de uma decisão judicial nos moldes da que Musk se arvorou enfrentar.
Se a Primeira Turma do STF não tivesse sustentado por unanimidade, como o fez, a decisão monocrática de Moraes, o Brasil sairia, certamente, desmoralizado, desse embate acompanhado mundialmente por governantes preocupados com a ruptura de todos os valores que sustentam as democracias modernas.
O Brasil saiu vitorioso e o STF, guardião da Constituição, mostra, mais uma vez, que a afronta aos pilares da democracia não será tolerada, ainda que essa tentativa venha sob a ameaça tirânica e assustadoramente onipotente do homem mais rico do planeta que controla satélites e as mais importantes e estratégicas informações politicas e econômicas do mundo.
As forças de defesa e os exércitos de muitos países do mundo, inclusive do Brasil, se encontram nas mãos de Musk que possui acesso a todos os dados necessários para derrubar, desmantelar ou fazer ascender governantes. As fábricas de fake news e os mecanismos de sua capilarização estão no domínio de Musk, sobrando muito pouco espaço de manobra para governos democráticos que não se submetem aos seus ditames.
X STF Elon Musk Alexandre de Moraes
X Musk M Crédito: Folhapress
Não é, nunca foi e nem nunca será em defesa da liberdade de expressão que Musk correu o risco de perder um dos maiores mercados do mundo, no caso, o Brasil. Musk está pouco se importando com qualquer tipo de defesa de direitos fundamentais. Sua preocupação e seus interesses são e sempre serão fundamentalmente econômicos. Até mesmo os interesses políticos estão subordinados aos interesses econômicos.
Musk e a extrema direita, apoiada por ele, saíram perdedores nesse primeiro round, mas é preciso que estejamos atentos. É uma vitória temporária. Importante, mas temporária. A democracia estará eternamente em risco. O mercado vai se remodelando na medida em que seus interesses vão sendo atacados, fragilizados.
Sustentar a democracia é lutar por instituições fortes, respeitadas e valorizadas socialmente. Processos emancipatórios e libertadores do julgo do capital e da opressão dependem de uma formação cidadã que compreenda os mecanismos e jogos de poder que são jogados cotidianamente por aqueles que detêm o poder e que fazem usos das estratégias mais perversas para manter os níveis de desigualdade social necessários para que possa manter-se na devida distância daqueles que desprezam e que querem ver eternamente subjugados.
O Brasil pode se tornar um paradigma para as democracias em todo o mundo no que diz respeito ao controle das grandes big techs controladas pelos homens mais ricos do mundo, mas precisa estar atento para não se perder em disputas políticas que desconsideram a soberania nacional e a ideia de que o poder enama do povo e não de seus representantes nos três poderes da República. É no povo que residem a força, a coragem e a dignidade que sustentam a nação.

Elda Bussinguer

Pos-doutora em Saude Coletiva (UFRJ), doutora em Bioetica (UnB), mestre em Direito (FDV) e professora universitaria

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