As negociações acerca do ajuste fiscal continuam com o tensionamento em nível máximo. O Congresso Nacional e o mercado esticam a corda de tal forma que o governo pouco consegue avançar.
O discurso de que os riscos de descontrole fiscal são grandes, colocando o país em perigo, não correspondem à realidade. É de conhecimento geral, pelo menos por parte de todos que entendem minimamente de economia, que o governo brasileiro vem alcançando sucesso em sua política econômica.
A pressão em cima do governo Lula, mesmo diante de uma conjuntura econômica favorável, decorrente de uma política direcionada para os interesses e direitos da sociedade, é, exclusivamente, uma tentativa de fragilização diante da opinião pública, fazendo cair seus índices de aprovação social.
Essa construção discursiva está direcionada a pressionar o governo a fazer um ajuste fiscal que atenda, tão somente, os interesses privados, deixando a sociedade, mais uma vez, a ver navios.
A intencionalidade, como sempre, é manter os status quo e as desigualdades no mesmo nível, de forma a favorecer os mesmos que sempre foram favorecidos. O objetivo é fazer ajustes fiscais que repercutam nos direitos sociais, com importantes cortes de gastos, deixando tudo como “dantes no quartel do Abrantes” no que diz respeito aos privilégios históricos vivenciados pelos mais ricos.
Caso Lula sucumba e aceite um pacote de cortes que atinja os direitos sociais, especialmente saúde e educação, ele terá decretado seu fracasso político, na medida em que, ao renunciar seu projeto e de sua luta por uma sociedade mais justa e igualitária, terá aberto mão da defesa daqueles que ele sempre disse defender, por ter sido um deles, assumindo um lado, no caso, o lado daqueles que nunca lhe deram votos e que sempre estiveram preparados para derrubá-lo do poder.
Cumprir metas à custa daqueles que sempre foram expropriados de seus direitos básicos, deixando, no mesmo processo acumulativo, aqueles que vivem da exploração do Estado e dos menos favorecidos é algo que o presidente não poderá fazer, a não ser que mude de lado.
Lula precisa fazer uma opção radical neste momento. Passar a história como um presidente que fez uma opção pelo Capital, abandonando seus princípios, ou passar a história como um defensor dos Direitos Sociais e da Dignidade Humana que sempre defendeu.