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Saúde

Oropouche no ES: os vírus estão por toda a parte

Reconhecido por investimentos e por políticas sérias na área de saúde, o Espírito Santo precisará, mais uma vez, demonstrar força, coragem e determinação estratégica no enfrentamento de uma virose para a qual não há vacinas e nem tratamento

Publicado em 14 de Janeiro de 2025 às 01:00

Públicado em 

14 jan 2025 às 01:00
Elda Bussinguer

Colunista

Elda Bussinguer

elda.cab@gmail.com

Vencemos uma guerra contra a Covid-19, mas ainda não ganhamos a batalha contra o verdadeiro perigo deste século que, juntamente com o ódio que produz guerras e as fake news que produzem ignorância, representam o maior risco de extermínio da vida na terra: os vírus que se espalham sem qualquer barreira e controle.
Após termos superado os contratempos mais imediatos e assustadores da pandemia, parecemos uma sociedade sem memória e sem história. Continuamos a viver como se nada tivesse acontecido de grave e que os tempos da pandemia, tão recentes ainda, tivessem sido parte de uma historieta sem maiores consequências na trajetória humana na terra.
Acreditamos, ingenuamente, por um tempo, que a lição tivesse sido aprendida e que o mundo nunca mais seria o mesmo. No imaginário social, e nos debates travados naquele período trágico, passaríamos por enormes transformações no modo de nos relacionarmos com os nossos contemporâneos, com a natureza e conosco mesmos.
Acreditamos, enfim, em maior ou menor grau, que passaríamos por uma profunda reavaliação de nosso estilo de vida, de nossos valores e de nosso modo de compreender a importância do respeitar a natureza e todos os seres viventes, para que pudéssemos gozar em segurança e equilíbrio o mundo que herdamos e que precisamos deixar preservado para as futuras gerações.
Infelizmente, nada disso aconteceu. Aprendemos muito pouco, ou quase nada com a tragédia que matou milhares de pessoas pelo mundo afora, deixando um rastro de destruição e síndromes pós-covid inimagináveis antes desse evento trágico e sem precedentes. Por longo tempo ainda haveremos de conviver com as consequências na saúde humana, na educação e na economia.
Seguimos do mesmo modo em todos os aspectos de nossa vida pessoal, econômica e política. Fomos salvos pela ciência que se contrapôs ao negacionismo, pela democracia que resistiu à ditadura, pelas vacinas que impediram o alastramento do vírus a as consequências funestas da cloroquina. Fomos salvos pela potência do SUS, maior sistema público e universal de saúde do mundo que deixou evidente que o sistema privado de saúde não opera a favor dos interesses coletivos, mas exclusivamente dos interesses privados de acumulação de capital.
Nós nos esquecemos de que vencemos parcialmente uma batalha, conseguindo aplacar a capilarização do vírus, mas a guerra continua e outros vírus, nas suas mais diferentes e incontroláveis manifestações, estão soltos, prontos para retornarem com força destrutiva, invasiva e descontrolada ocupando os espaços,  rurais ou urbanos, por onde homens, mulheres e crianças vivem. Estamos despreocupados do futuro em razão do desconhecimento provocado, seja pela ignorância, seja pela ganância.
O Oropouche, arbovirose conhecida, mas não temida pela sociedade, está aí, invadindo, com força e promessas nefastas, nosso território tão bonito e aparentemente tão bem protegido de doenças ruins e de risco para a sociedade brasileira. O Espírito Santo, um dos estados brasileiros que melhor enfrentou a pandemia, com uma atuação política de destaque nacional, em razão de sua organização, conhecimento, vontade política e respeito à ciência e à vida humana, sofre hoje com a chegada da febre do Oropouche.
Reconhecido por investimentos e por políticas sérias na área de saúde, o Espírito Santo precisará, mais uma vez, demonstrar força, coragem e determinação estratégica no enfrentamento de uma virose para a qual não há vacinas e nem tratamento. Não será fácil, mas o Espírito possui alta capacidade técnica na saúde coletiva e alto comprometimento no enfrentamento de eventos dessa natureza.
Febre do Oropouche
Febre do Oropouche Crédito: Divulgação | Fiocruz
Segundo o Ministério da Saúde, o Espírito Santo possui cerca de 90% dos casos de febre Oropouche notificados no país. Essa estatística levou os EUA a recomendarem que seus cidadãos não venham ao Brasil e, em especial, ao Espírito Santo.
Corremos risco real de nos tornarmos notícias nacional, mas temos, como poucos estados brasileiros, a força de uma política de valorização dos municípios e de atuação em parcerias interinstitucionais, que precisarão ser, agora, mais uma vez, convidadas a serem acionadas para enfrentar a força destrutiva dos vírus que se espalham por toda a parte e que desafiam nossa capacidade técnica e política.
Diferentemente da época da pandemia, na qual o Espírito Santo enfrentou sozinho o desafio que se colocava, com um desgoverno nacional que, além de não atuar, fez questão de intervir negativamente em todo o processo, dessa vez o governo estadual e os municípios capixabas, poderão contar com um governo federal de prontidão técnica, estratégica e política para atuação conjunta no enfrentamento desse novo desafio para a saúde pública brasileira.

Elda Bussinguer

Pos-doutora em Saude Coletiva (UFRJ), doutora em Bioetica (UnB), mestre em Direito (FDV) e professora universitaria

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