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Saúde

SUS público e gratuito é o maior desejo de saúde e paz em 2025

O ministério mais ambicionado e disputado do governo federal, com mais recursos, objeto de desejo, por excelência, do Centrão, é o Ministério da Saúde

Publicado em 30 de Dezembro de 2024 às 23:00

Públicado em 

30 dez 2024 às 23:00
Elda Bussinguer

Colunista

Elda Bussinguer

elda.cab@gmail.com

Os ataques ao SUS são constantes, ordenados, sistemáticos e arquitetados por meio de sofisticados esquemas transgressores da ética, do direito e da justiça.
Não há um minuto sequer em que o Ministério da Saúde e seus gestores possam gozar da paz necessária para implementar de forma plena a política pública de saúde que saiu vencedora da Constituinte. Agora mesmo assistimos às tentativas de derrubada da ministra da Saúde, Nísia Trindade.
Os dois campos que se colocam em disputa pela gestão do SUS, buscando manter a hegemonia ou quebrá-la, estão claramente delineados, compondo um conjunto de atores com as mais diferentes matizes, formações, capacidades de gestão, interesses políticos e econômicos, bem como interesses de natureza pessoal, que mesclam desejos de poder, ideologias que mascaram a verdadeira intencionalidade da consciência, depredadora do bem público e da justiça social.
No discurso, há “defensores” do SUS nos dois campos. Ninguém se arvora o direito de, de modo claro, transparente e à luz do dia, atacar o sistema. Não haveria clima para uma ofensiva direta que propusesse a descontinuidade do SUS tal qual ele foi edificado. Não seria politicamente correto fazer a apologia de uma extinção do sistema no todo ou em parte. Os ataques são diretos, mas camuflados.
O ministério mais ambicionado e disputado do governo federal, com mais recursos, objeto de desejo, por excelência, do Centrão, é o Ministério da Saúde. Nísia Trindade mantem-se firme, nesses dois anos, por uma deliberação exclusiva do presidente da República, que não sabemos até quando resistirá.
Uma mulher à frente do Ministério da Saúde, com toda a sua potencia econômica e de poder, é incomodo demais para um país, misógino, de forte tradição patriarcal, machista, que se dedica com afinco ao controle dos corpos femininos, que deverão manter-se em seus locais naturalizados como permitidos.
Uma mulher é sempre um incomodo na política, nos lugares públicos, onde a linguagem se manifesta como poder. A gestão pública, capturada por homens brancos, lugar de domínio exercido de forma quase sempre violenta e agressiva, e porque não dizer, muitas vezes, naturalizada como espaço de apropriação privada, no qual a corrupção ainda permanece como uma cultura aceita e validada, precisa ser objeto de nosso olhar cuidadoso e atento para 2025.
Nísia possui dois qualificadores incômodos à cultura machista brasileira. É mulher e tem uma história de integridade já posta a prova muitas vezes. É defensora ardorosa do SUS público, universal, integral e equânime. Conhece, como poucos, as verdadeiras necessidades de saúde do país. Mas, para os que querem tomar de assalto o Estado, por meio do Ministério da Saúde, ela é um incômodo. Conhece profundamente as artimanhas e os assaltantes de plantão travestidos de homens públicos probos.
Prédio do Ministério da Saúde, em Brasília
Prédio do Ministério da Saúde, em Brasília Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Nísia é aparentemente frágil, mas na fragilidade e delicadeza reside a sua fortaleza. Está cercada por muitos defensores do SUS. Instituições de abrangência e capilaridade nacional estão atentas e se movimentarão a qualquer tentativa
Desde 1988 quando foi promulgada a Constituição da República com seu arrojado e inovador artigo 196, que preconizava que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas [...]” em uma perspectiva da universalidade, integralidade e equidade, que as tentativas de desmonte da saúde como bem público, indispensável a consolidação da democracia foram se intensificando.
Agora é hora de proteger o SUS garantindo a ele tratamento de patrimônio da humanidade, que precisa ser preservado de todos os ataques daqueles que querem os seus recursos para fins pessoais/ privados e não públicos, coletivos, de justiça social, como efetivamente deve ser.

Elda Bussinguer

Pos-doutora em Saude Coletiva (UFRJ), doutora em Bioetica (UnB), mestre em Direito (FDV) e professora universitaria

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