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Estados Unidos

Trump: a linguagem como representação do ser

A linguagem de Donald Trump desvela sua condição de líder descredibilizado, capaz de arruinar 250 anos de uma história que se afirmava, ainda que narrativamente construída com esforço linguístico, carregada de sinais, símbolos, signos e significados

Publicado em 07 de Abril de 2026 às 04:00

Públicado em 

07 abr 2026 às 04:00
Elda Bussinguer

Colunista

Elda Bussinguer

elda.cab@gmail.com

O presidente da mais poderosa nação do mundo, Donald Trump, é um homem que se apresenta tal qual é em sua essência. Ele não se sente obrigado a nada, nem a ninguém. É livre em pensamentos e ações. Diz o que pensa, sem qualquer pudor ou restrição que lhe possa ser imposta pela liturgia do cargo ou pela exigência de coerência e coesão linguística e política.
Ele é quem é, sem subterfúgios, sem tentativa de ser agradável ao interlocutor ou respeitoso àqueles aos quais deve o seu mandato. Não usa máscaras, já que não se sente obrigado a dar satisfação de sua posição ou intenção. Afirma-se exatamente como é e como gostaria de ser visto por todos, sejam eles aliados ou adversários.
A linguagem de Trump, “morada do ser” como afirma Heidegger, denuncia o homem que está no comando de um país que sempre se afirmou como a mais consolidada democracia e mais potente e sólida economia do planeta. Trump é, exatamente, aquilo que diz e o que sua linguagem empobrecida de valores expressa a todos. Ele é um ser apequenado de dignidade, de virtudes e de sabedoria.
Com Trump no comando, não há mais como afirmar que os EUA são um país no qual os valores cristãos se impõem e são regra de fé e de conduta, seja na vida pessoal, seja na política.
O discurso do presidente americano se assemelha ao de um homem desprovido de qualquer sentimento de humanidade, de caráter, de conhecimento histórico, de compreensão de política interna e externa capaz de atrair a si mesmo e ao seu país, credibilidade.
Os EUA são uma nação comandada por um tirano, impiedoso déspota, perverso, homem dominado pela ganância, pela sede insaciável de poder, pela falta de limites mínimos civilizatórios, pela falta de compaixão e de respeito às instituições e às pessoas. Não há nada em Trump que possa ser objeto de nossa mínima simpatia ou admiração.
U.S. President Donald Trump speaks during a press briefing at the White House
Donald Trump Crédito: REUTERS/Elizabeth Frantz
A linguagem de Donald Trump desvela sua condição de líder descredibilizado, capaz de arruinar 250 anos de uma história que se afirmava, ainda que narrativamente construída com esforço linguístico, carregada de sinais, símbolos, signos e significados que apontavam para um passado de grandeza moral, de democracia, de ciência e de exemplo para outras nações.
Um líder como Donald Trump, capaz de pronunciar discursos carregados de impropérios, xingamentos, vilezas morais, palavras inapropriadas, desrespeitosas, que não guardam um mínimo de coerência fática, não tem condições políticas e morais de representar um povo que se deseja minimamente civilizado.
A linguagem de Trump denuncia o ser que nela habita.

Elda Bussinguer

Pós-doutora em Saúde Coletiva (UFRJ), doutora em Bioética (UnB), mestre em Direito (FDV) e professora universitária

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