Estamos diante de uma nova onda da Covid-19. Aprendi que, na crise, há algumas perguntas que precisam ser respondidas, ou pelo menos sobre as quais devemos refletir. Elas podem ser resumidas, basicamente, no seguinte: como posso fazer para melhorar a situação? Com que rapidez devo agir? Por fim, quem são as pessoas que também podem ajudar?
Depois do primeiro movimento e de responder a essas perguntas, precisamos saber quem, qual e como serão os próximos passos a serem dados. E talvez, a mais complexa de todas as perguntas a serem respondidas: como posso avaliar a eficácia dos passos que eu dei?
Então, diante das muitas mensagens e dúvidas que tenho recebido e, talvez, um certo desânimo apreendido entre uma ou outra mensagem, vamos fazer esse exercício de compreender essa nova crise, ou nova onda da Covid.
Nós podemos fazer a nossa parte e, para responder a primeira pergunta, devemos colocar nossa vacinação em dia. Vale frisar aquilo que parece já ter caído em certo esquecimento: vacina no braço é sinônimo de cumprimento do seu dever social. Para diminuir a transmissão, devemos usar máscara, preferencialmente máscaras filtrantes (cirúrgica e PFF2). Fazer o teste sempre que tiver síndrome gripal ou contato com pessoa com Covid e se isolar! Quebrar a cadeia de transmissão é nossa maior tarefa na luta contra o vírus.
E, sim: você deve agir rápido. O vírus se espalha rapidamente e quanto mais rápido tomarmos as medidas de prevenção acima, mais ajudaremos no controle da nova onda.
Além dessa ação individual, o outro parceiro que se compromete com a luta é o governo. É papel do Estado comprar e disponibilizar as novas vacinas, remodeladas, bem como os medicamentos de eficácia comprovada, que precisam estar disponíveis no SUS. Além disso, conforme já escrevi inúmeras vezes nessa coluna, é preciso distribuir máscaras filtrantes no SUS.
O próximo e decisivo passo é a inclusão da vacinação contra a Covid no calendário do Programa Nacional de Imunização (PNI). Já compreendemos que, diferentemente do Sarampo, em que uma infecção é garantia de proteção contra outras reinfecções, a Covid (seu vírus causador, o Sars-Cov-2) é capaz de causar múltiplas reinfecções. Dessa forma, definir um calendário estratégico, determinando os grupos de risco para doses de reforços, será fundamental.
Até o momento, conseguimos avaliar, por meio das evidências científicas produzidas pelas vacinas, que essa nova onda causada pela subvariante BQ.1 da Ômicron não tem provocado casos mais graves. No entanto, pelas inúmeras mutações, consegue causar mais reinfecções,inclusive em pessoas que já haviam se infectado com outras subvariantes da Ômicron.
As vacinas seguem cumprindo o papel de proteção contra a gravidade dos casos e reduzem a incidência de casos de Covid longa. Ainda assim, há um grupo de pessoas que são mais vulneráveis: os idosos e imunossuprimidos, que precisam de ações complementares.
Por volta da 13ª semana da aplicação da vacina, há uma diminuição da proteção nesses grupos mais vulneráveis. Portanto, a dose de reforço é fundamental. Na falta de vacina recombinante, o reforço dos maiores de 70 anos precisa ser considerado para uma diminuição no número de internações, principalmente nos que que têm mais de 6 meses da última dose. Enquanto escrevo esta coluna, essa é uma das batalhas que estamos enfrentando: a luta para garantir a terceira dose de reforço, em larga escala, aos mais vulneráveis.
Monitorar as variantes circulantes, remodelar as vacinas de acordo com essas variantes e vacinar os mais vulneráveis no SUS é nossa melhor forma de minimizar os impactos sociais dessa nova onda da Covid. Enquanto isso, cobramos esse governo e alertamos o próximo governo para as ações necessárias.
Faça a sua parte, cuide-se e lembre-se: a pandemia continua!