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Covid-19

Informação sobre a pandemia continua essencial para as boas escolhas das pessoas

Comunicação em saúde precisa ser mais bem estabelecida, não apenas para flexibilizar ações de saúde pública, mas para possibilitar que as pessoas possam tomar decisões frente ao vírus e a doença causado por ele

Publicado em 31 de Março de 2022 às 02:00

Públicado em 

31 mar 2022 às 02:00
Ethel Maciel

Colunista

Ethel Maciel

ethel.maciel@gmail.com

Máscara e vacina: proteções contra a Covid-19
Máscara e vacina: proteções contra a Covid-19 Crédito: Pixabay
Pela primeira vez desde julho de 2020, a taxa de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no Brasil está fora da zona de alerta, ou seja, com taxas de ocupação inferiores a 60%. Os dados foram informados no boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz, no dia 25 de março.
O boletim ainda emite uma importante preocupação com as desigualdades em saúde. Os pacientes atualmente internados em UTI para tratamento de Covid-19 são em sua maioria homens (51%), pessoas idosas (62%) e pretos e pardos (49%).
Em relação a serem homens a maioria dos internados, temos visto desde o início da pandemia uma diferença de comportamento em relação à utilização de medidas de proteção, mais especificamente do uso de máscaras, medidas que já sabemos bastante efetivas para a diminuição da infecção.
Pesquisadores da Universidade de Middlesex, no Reino Unido e do Instituto de Pesquisa em Ciências Matemáticas, nos EUA, entrevistaram de forma on-line 2.459 pessoas. Os resultados mostram que os homens têm menos pré-disposição em se proteger usando máscara ou outro tipo de cobertura facial quando comparado com as mulheres.
Em lugares em que o uso é obrigatório, a diferença do comportamento entre os gêneros diminui. Umas das justificativas para essa atitude, de acordo com a pesquisa, é que os homens acreditam ter menos possibilidade de serem afetados de forma grave pela doença e, caso se infectem, acreditam que se recuperarão mais rapidamente.
Sobre pretos e pardos temos extensas pesquisas que mostram que a desigualdade social impacta de forma diferente em classes economicamente diferentes. Como no Brasil, um importante marcador social é a raça/cor com diferenças significativas em anos de escolaridade, empregos formais, taxas de desemprego, entre outros.
As pessoas que se autodeclaram pretos e pardos tem historicamente arcado com um ônus diferente e desigual no acesso e cuidado à saúde. Dois estudos no Espírito Santo que analisaram os desfechos de internação e óbito por Covid-19 encontraram maior chance de aconteceram em homens, idosos e de pessoas que se autodeclararam de cor preta. Também há maior chance dessas internações acontecerem em pessoas internadas no sistema público, dado a muitas outras doenças que essas pessoas apresentavam antes da Covid.
Sobre a maior gravidade em idosos, o alerta vem sendo feito desde o fim de dezembro quando o surgimento da variante Ômicron aumentou a taxa de internação entre não vacinados e entre idosos vacinados. Já tínhamos evidências científicas que pessoas imunossuprimidas precisavam de mais uma dose de reforço e o Ministério da Saúde rapidamente publicou uma nota técnica autorizando Estados e municípios a aplicarem a segunda dose de reforço.
Israel, assim que a Ômicron chegou, decidiu estender a autorização de um reforço para as pessoas com 60 anos e mais, o que reduziu em quatro vezes menos a internação nos idosos que se receberam o segundo reforço. No Brasil, de posse dos dados divulgados por Israel, autorizou a administração para todos com 80 anos ou mais e o Espirito Santo se adiantou e, analisando o aumento de internação nas pessoas com 60 anos ou mais, decidiu por proteger todo esse grupo.
Dados de Israel e dos Estados Unidos já informavam que havia uma diminuição de proteção por uma menor resposta do sistema imunológico depois de 4 meses do reforço em pessoas com 60 anos ou mais. Nesse momento, os Estados Unidos estudam a administração para todos com 50 anos do segundo reforço.
Proteger pessoas com diminuição da resposta imunológica como imunossuprimidos e idosos, melhorar o acesso e qualidade da assistência para pessoas usuárias do SUS e principalmente aqueles que se autodeclaram pretos e pardos dada as desigualdades históricas e informar através de campanhas que homens precisam se proteger, pois o comportamento de risco implica em maior adoecimento e mortalidade, é tarefa de nossos gestores.
Aliado a isso, é preciso reconhecer que a pandemia continua entre nós e a comunicação em saúde precisa ser mais bem estabelecida, não apenas para flexibilizar ações de saúde pública, mas para possibilitar que as pessoas possam fazer melhores escolhas frente ao vírus e a doença causado por ele. O vírus seguirá entre nós e precisaremos de informação para que a ignorância deixe de fazer vítimas.

Ethel Maciel

É enfermeira. Doutora em Epidemiologia (UERJ). Pós-doutora em Epidemiologia (Johns Hopkins University). Professora Titular da Ufes. Aborda nesta coluna a relação entre saúde, ciência e contemporaneidade

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