No dia 25 de dezembro comemoramos o nascimento de Jesus Cristo, a mais importante celebração do Cristianismo. Mesmo para os não cristãos, é um feriado de reflexão, de fazermos um balanço para o novo ano que se inicia.
É, portanto, um período em que nos reunimos, celebramos o amor, a compaixão e a família. É um momento de união. Mas diante de um ano em que vivenciamos nossos mais profundos medos se realizando, o Natal ganha novos significados. Pessoas perderam seus empregos e fontes de renda, outras viram todo o fruto dos seus esforços sendo perdidos, quando as portas de seus comércios tiveram que ser fechadas, outras perderam aquilo que não se pode mais recuperar, seus entes queridos.
Foi um ano de dor, foi um ano de perdas. Nem sempre entendemos todas as dores vividas que acontecem no decorrer da nossa história pessoal. Não compreendemos por que alguns se foram e outros permaneceram entre nós. Olhamos atônitos em como nos quedamos impotentes diante do vírus. É hora de consolarmos uns aos outros, nos unirmos em torno do inimigo comum e buscarmos formas de combater o vírus que está interrompendo a linha de muitas vidas.
Ao longo do tempo aprendemos muito sobre nossa relação com a natureza e os seres minúsculos que a habitam. A ciência tem nos guiado por muitas dessas descobertas. Quando Louis Pasteur (1822-1895), cientista francês, revolucionou os métodos de combate às infecções. Ou quando a penicilina foi descoberta pelo inglês Alexander Fleming (1881-1955). Ou, ainda, quando a tuberculose pulmonar, doença que dizimou a Europa, teve a descoberta do seu agente transmissor, em 1882, por Robert Koch.
Essas descobertas abriram as nossas portas para o mundo microscópico dos germes e de como causavam as doenças. De lá até aqui, descobrimos, inventamos e solucionamos muitos problemas da humanidade graças às pesquisas científicas.
Temos vacinas que poderão nos guiar para um caminho seguro. Esse milagre não foi conquistado agora e às pressas como querem crer alguns. Ele remonta ao século XVIII, quando Edward Jenner descobriu a vacina antivariólica, a primeira de que se tem registro. Ele fez uma experiência comprovando que, ao inocular uma secreção de uma forma mais branda da doença em outra pessoa saudável, esta desenvolvia sintomas muito mais leves e tornava-se imune à patologia em si, ou seja, ficava protegida. Essa é uma descoberta de 224 anos.
Chegamos até aqui graças a tantos valorosos cientistas, que ao longo da história nos brindaram com sua genialidade, tenacidade e compromisso com a vida. A vacina é o símbolo do nosso sucesso como humanidade. Erradicamos a varíola e estamos no caminho da eliminação de várias outras doenças infecciosas. Mas a vacina de RNA (Ácido ribonucleico) pode ser uma nova fronteira no conhecimento. Podemos, enfim, ensinar nosso organismo a como nos proteger de outras doenças, como o câncer. Há ainda muito por vir.
Por hora, nos resta celebrar esse espetacular momento da ciência. As vacinas estão chegando e com elas um novo tempo para atravessarmos essa dura jornada. Há ainda um longo percurso a seguir, mas agora estaremos acompanhados.
Enquanto enxergamos a luz no fim do túnel, brilhante, reluzente e esplendorosa, vamos seguir firmes no caminho até ela. O túnel ainda é comprido, ainda precisaremos nos proteger com as armas do conhecimento que temos até o momento: distanciamento físico, máscara e álcool em gel. Mas estamos quase lá, é possível sentir a luz.
Celebre com os que moram na mesma casa. Visite entes queridos de máscara e ao ar livre. Evite que o vírus te encontre e evite levá-lo a quem você ama. A melhor forma de demonstrar amor nesse momento é ficar distante. Esse será ainda um Natal diferente, doloroso e em que estaremos ainda separados, mas vamos acreditar que o Natal está onde estivermos, os símbolos de tempos imemoriais de nascimento de um novo tempo de saúde, alegria e generosidade será possível e viveremos a esperança da prosperidade em nossas próximas estações. É tempo de acreditar. Um Feliz Natal!