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Pandemia

O que fazer para aproveitar o tempo que ganhamos

Completamente vacinados, usando máscara e nos protegendo, ganhamos tempo para seguir a vida, seguir em frente e ter ainda mais tempo

Publicado em 11 de Novembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

11 nov 2021 às 02:00
Ethel Maciel

Colunista

Ethel Maciel

ethel.maciel@gmail.com

Muitas pessoas têm me perguntado se já é possível retirar máscara, ir a shows, estádio de futebol, restaurantes, cinemas. “E o carnaval vai ter?” A pergunta vem sempre com a própria resposta que querem ouvir, afinal, “é preciso seguir a vida”, me dizem.
Minha resposta, no entanto, nem sempre é agradável. Muitas vezes, é indesejada. Já sou a voz que fala com pouco eco. Mas continuo a falar. Primeiro, é preciso compreender e jamais esquecer: muitos não tiveram a oportunidade de “seguir a vida”. Para esses, o tempo não foi suficiente. E em uma pandemia, o que temos a nosso favor é o tempo.
Ganhamos tempo ficando em casa, deixando nossas atividades habituais para que a ciência tivesse tempo para pesquisar e encontrar uma vacina. Também usamos o tempo para aprender sobre a doença, a melhor forma de tratar, quando entrar com os medicamentos e o que fazer em caso de complicações. O tempo também foi crucial para que pesquisas de reposicionamento de medicamentos usados para outras doenças e outros medicamentos desenvolvidos especificamente para Covid-19 pudessem ser estudados. Nesse cenário, ganhamos possibilidades terapêuticas efetivas para tratar quem adoecesse.
Quem adoece hoje tem chances muito superiores de sobrevivência comparado a quem adoeceu em 2020. Tudo que fizemos foi ganhar tempo para aprender e construir estratégias para controlar a doença. Vale destacar, conseguimos fazer isso com um sucesso nunca vivido em pandemias anteriores na História.
Como é o caso de tantos outros vírus, o Sars-Cov-2 continuará entre nós e precisaremos aprender a conviver com ele. Entretanto, ainda não estamos com a pandemia controlada e esse entendimento é crucial. Ainda temos, em média, 300 pessoas morrendo por dia. Perdas de vidas, interrupções de histórias e marcas dolorosas em muitas famílias.
Nossa grande aliada na corrida contra o tempo é a vacina. É imprescindível estar com o esquema vacinal completo, especialmente em casos de maior exposição ao risco. Sempre que possível, os locais deveriam exigir que as pessoas frequentadoras daquele espaço fechado apresentassem a comprovação do esquema completo de vacinação. Trata-se de um cuidado coletivo de saúde e de solidariedade social.
Diante disso, o que é possível fazer? Apenas aquilo que foi possível até agora: a nossa parte. Aprender a ganhar mais tempo e continuar a usar a máscara, mesmo na retomada das atividades cotidianas, que dão a impressão de “normalidade”.
Para aprender a ganhar mais tempo, agora deveremos refletir sobre a redução de danos: se vou sair e posso escolher entre um lugar aberto e um fechado, devo escolher o aberto. Se vou ao cinema e tenho como usar uma máscara mais filtrante do tipo cirúrgica ou PFF-2 (peça facial filtrante), devo usá-la. Isso vale também para viagens em meios de transporte compartilhados, academias e outros espaços com pouca circulação de ar. Preciso viajar ou quero viajar e vou ficar longo período em local fechado, use máscara mais filtrante. Vou voltar para academia e o local é fechado, use máscara mais filtrante.
Muito provavelmente, para todas as perguntas que me fizerem, responderei da seguinte forma: esteja com o esquema vacinal completo, use a máscara mais filtrante e continue com as outras medidas de biossegurança até termos aproximadamente 90% da população vacinada.
Assim, completamente vacinados, usando máscara e nos protegendo, ganhamos tempo para seguir a vida, seguir em frente e ter ainda mais tempo! Esse é o presente que a ciência nos deu, aproveite sem moderação.

Ethel Maciel

É enfermeira. Doutora em Epidemiologia (UERJ). Pós-doutora em Epidemiologia (Johns Hopkins University). Professora Titular da Ufes. Aborda nesta coluna a relação entre saúde, ciência e contemporaneidade

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