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Pandemia

Volta às aulas: onde estão as políticas públicas para um retorno mais seguro?

A educação não foi a prioridade de investimentos e agora só nos resta a redução de danos no retorno presencial durante o pico de elevação da variante Ômicron no país

Publicado em 03 de Fevereiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

03 fev 2022 às 02:00
Ethel Maciel

Colunista

Ethel Maciel

ethel.maciel@gmail.com

ano letivo de 2022 se inicia. Estamos novamente diante da mesma discussão, ainda que já tenhamos acumulado dois anos de experiência no controle da pandemia. De forma sem precedentes na história, a ciência respondeu com soluções para estratégias de controle às ameaças da Covid-19. Temos testes diagnósticos eficazes, vacinas que nos protegem e medicamentos para aqueles que têm possiblidade de desenvolver doenças mais graves.
Sobre os testes diagnósticos, é incompreensível que não tenhamos até o momento um programa de testagem, especialmente visando as crianças e adolescentes em idade escolar. Métodos de coleta menos invasivos são imprescindíveis em um cenário de pandemia, pois são necessários testes em larga escala para entender a real evolução do contágio em diferentes populações, possibilitando assim a tomada de decisões com base em evidências científicas.
A saliva tem se mostrado uma alternativa para o diagnóstico de infecções virais, pois esse fluido biológico pode ser coletado de maneira fácil e rápida, sem o uso de dispositivos específicos e causando menos desconforto durante a coleta, fator importante para uso em crianças.
Apesar da menor porcentagem de casos graves de Covid-19 entre as crianças, elas desempenham um papel importante no contágio, visto que podem ter o mesmo potencial de transmissão que os adultos. Além disso, inúmeros casos de síndrome inflamatória multissistêmica grave foram recentemente relacionados a infecções por SARS-CoV-2 em crianças, adolescentes e adultos jovens. Ainda assim, infelizmente não temos esses testes incorporados em nossas políticas públicas, como já acontece em outros países.
Aqui, seguimos convivendo com a ausência de outra política pública que seria fundamental: a distribuição de máscaras mais filtrantes, do tipo PFF-2, para os trabalhadores da educação e trabalhadores essenciais, bem como estímulo para que empresas possam fornecer essas máscaras a seus trabalhadores de forma mais ampla.
Também não tivemos investimentos mais estruturais nas escolas visando as melhorias de ventilação ambiental, o que propiciaria uma redução de contaminações com instalações de filtros de Hepa (High Efficiency Particulate Air) e monitores de Co2. Durante a volta às aulas nos EUA, por exemplo, tem sido muito utilizado o monitor portátil de dióxido de carbono (CO2), que possibilita verificar se um local está bem ventilado ou não.
Na prática, o dispositivo avalia quanto ar fresco está circulando pela escola. Baixos níveis de dióxido de carbono indicam que está bem ventilada, reduzindo a probabilidade dos alunos contraírem a doença. Os filtros Hepa sugam, filtram e esterilizam o ar de qualquer espaço, de maneira rápida, silenciosa e eficaz, garantindo ambientes higienizados e seguros para a circulação de estudantes e trabalhadores.
Não bastasse a falta dessas medidas, a estratégia central de controle da pandemia também é repleta de falhas e coloca em grave risco nossas crianças. A vacinação na faixa-etária pediátrica chega lenta e cercada de barreiras, principalmente impostas pelo próprio governo federal que deveria ser o maior propagador de informação e nesse momento triste age justamente de forma contrária: espalhando desinformação, criando barreiras e colaborando para a indecisão das famílias.
Em um país, como maior e mais reconhecido Programa de Imunização do mundo, chegarmos a esse nível de desinformação é inaceitável. Em todas as campanhas de vacinação anteriores sempre foram precedidas de campanhas massiva para alcançar o máximo de crianças e adolescentes, desde a criação do Zé Gotinha em 1986. E agora com a vacinação da Covid-19 houve uma ausência do governo federal no processo de comunicação e informação em saúde para o incentivo à vacinação, e isso é lamentável.
As vacinas aprovadas pela nossa agência regulatória, a Anvisa, são seguras, sem eventos adversos pós-vacinais graves nessa faixa-etária e protegem nossas crianças contra uma doença que já levou à morte ou deixou graves sequelas em muitas crianças no Brasil.
Portanto, a discussão para muito além dos favoráveis e contrários ao retorno presencial do ano letivo de 2022, na presença da nova onda da Ômicron, deveria partir de uma só questão: onde estão as políticas públicas que precisavam ter sido implementadas para a maior segurança de nossa comunidade escolar?
Ao respondermos essa pergunta, compreendemos que a educação não foi a prioridade de investimentos e agora só nos resta a redução de danos no retorno presencial durante o pico de elevação da variante Ômicron no Brasil.

Ethel Maciel

É enfermeira. Doutora em Epidemiologia (UERJ). Pós-doutora em Epidemiologia (Johns Hopkins University). Professora Titular da Ufes. Aborda nesta coluna a relação entre saúde, ciência e contemporaneidade

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