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Criminalidade

2025 confirmou que a segurança pública no Brasil segue marcada por contrastes

Ao olhar para o ano que passou, fica evidente que o Brasil sabe o que precisa ser feito. O desafio é manter o rumo, resistir a atalhos fáceis e apostar, com seriedade, naquilo que já mostrou funcionar

Publicado em 03 de Janeiro de 2026 às 04:00

Públicado em 

03 jan 2026 às 04:00
Eugênio Ricas

Colunista

Eugênio Ricas

eugenioricas@hotmail.com

Fazer uma retrospectiva na área da segurança pública no Brasil, em um artigo de opinião, é uma tarefa quase impossível. Sem dúvida alguma, seria necessário um livro para abordar todos os pontos e fatos relevantes do ano de 2025. Vou me atrever, no entanto, a selecionar alguns pontos que acredito que valem a pena serem mencionados.
O ano de 2025 confirmou que a segurança pública no Brasil segue marcada por contrastes. Avançamos em integração institucional, inteligência e uso de tecnologia, mas continuamos enfrentando a força do crime organizado, a violência urbana e desigualdades históricas que alimentam a criminalidade. O ano que acaba de terminar nos permite obter inúmeros diagnósticos dos problemas estruturais que enfrentamos; o desafio está em transformar estratégias em resultados sustentáveis.
Entre os fatos que marcaram o período, o primeiro foi a intensificação das ações contra facções criminosas em âmbito nacional. Operações integradas envolvendo Polícia Federal, forças estaduais, Ministério Público e outras instituições resultaram na prisão de lideranças do PCC e do Comando Vermelho, além do bloqueio de fluxos financeiros do crime. O recado é claro: sem inteligência e cooperação, o Estado seguirá correndo atrás de organizações que atuam de forma cada vez mais articulada. É fundamental, portanto, intensificarmos as ações coordenadas e cooperadas.
O segundo ponto que merece ser abordado diz respeito à violência em grandes centros urbanos. Episódios de ataques e confrontos armados no Rio de Janeiro e em outras capitais, com impacto direto na rotina da população, mostraram que respostas emergenciais são necessárias, mas insuficientes. A presença ostensiva reduz picos de violência, mas, sozinha, não desmonta estruturas criminosas nem impede sua recomposição e a continuidade do business criminoso.
O terceiro destaque de 2025 foi o avanço no uso de dados e tecnologia na segurança pública. A ampliação de centros de comando e controle, o uso de câmeras corporais, sistemas de reconhecimento e plataformas integradas de informações consolidaram uma tendência: políticas baseadas em evidências deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões operacionais e estratégicas em vários estados.
Vila Velha ganha 100 novas câmeras de videomonitoramento
Câmeras de videomonitoramento Crédito: Marco Antonio Antolini/PMVV
Nesse cenário nacional complexo, o Espírito Santo oferece um exemplo que merece atenção. A trajetória de redução consistente dos homicídios, construída ao longo dos últimos anos, não é fruto de ações pontuais. Ela resulta da continuidade da política pública, de planejamento, integração entre polícias, Ministério Público e Judiciário, investimento em inteligência e foco simultâneo em repressão qualificada e prevenção.
Mais do que celebrar números, a experiência capixaba reforça uma lição essencial: segurança pública não se faz com soluções improvisadas ou agendas de curto prazo. Resultados concretos na vida das pessoas exigem políticas públicas consistentes, duradouras e avaliadas continuamente, capazes de atravessar governos e se afirmar como política de Estado.
Ao olhar para 2025, fica evidente que o Brasil sabe o que precisa ser feito. O desafio é manter o rumo, resistir a atalhos fáceis e apostar, com seriedade, naquilo que já mostrou funcionar. Só assim a segurança deixará de ser promessa e se tornará, de fato, um direito de toda a sociedade.

Eugênio Ricas

É superintendente regional da Polícia Federal no Espírito Santo, ex-secretário da Justiça e ex-secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo, mestre em Gestão Pública pela Ufes

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