As armas de fogo são as ferramentas imprescindíveis ao cometimento da maior parte dos crimes violentos que matam, ferem e amedrontam nossa sociedade. Não há uma só organização criminosa no mundo que consegue manter sua hegemonia e praticar crimes sem dispor de grande quantidade de armas. Traficantes de drogas, assaltantes, homicidas, enfim, a maior parte dos criminosos depende de armas para alcançar seus objetivos.
Conhecedora dessa realidade, a Polícia Federal tem envidado esforços e recursos importantes para combater o tráfico de armas e reduzir a disponibilidade de armamentos nas mãos dos criminosos.
Apenas a título de exemplo, vale citar a Operação Dakovo conduzida pela PF da Bahia, no início deste mês. As investigações indicam que cerca de 43 mil armas saíram da Europa, passaram pelo Paraguai e foram entregues a organizações criminosas brasileiras. Durante os trabalhos, os investigadores identificaram 659 armas que entraram no Brasil através do esquema criminoso e que foram apreendidas em diversos Estados do país, incluindo o Espírito Santo.
Foram cumpridos 25 mandados de prisão preventiva, seis de prisão temporária e 52 de busca e apreensão no Brasil, Paraguai e Estados Unidos. Estima-se que a organização tenha movimentado cerca de R$ 1,2 bilhão.
Um trabalho como esse, por óbvio, demanda muito investimento em inteligência, tecnologia, coordenação, cooperação internacional e, acima de tudo, compromisso da alta gestão da PF em Brasília com a obtenção de resultados estratégicos para a segurança pública do país.
Investigações como a realizada pela PF na Bahia tem verdadeiro potencial de reduzir a disponibilidade de armas, fechando uma torneira que, por anos a fio, tem abastecido as facções criminosas com armamentos de todos os tipos e calibres.
Infelizmente, no entanto, impedir a entrada clandestina de novas armas no Brasil não resolve por completo o problema. Por se tratar de equipamentos com longa vida útil, o passivo de armas ilegais existente no Brasil também demanda especial atenção dos órgãos de segurança pública. Sejam aquelas existentes há muitos anos, sejam as disponibilizadas recentemente em razão da flexibilidade legislativa, a verdade é que há um imenso número de armas à disposição dos criminosos brasileiros.
Conhecedora do imenso desafio, a direção geral da PF decidiu criar em todos os Estados as chamadas Ficcos (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) que têm como missão investigar e combater as facções existentes em nosso país. Atuando de forma coordenada, as Ficcos contam com a participação de várias forças de segurança e realizam investigações, prisões e miram o patrimônio das organizações criminosas (praticando a bem-sucedida estratégia da descapitalização).
No Espírito Santo, por exemplo, a Ficco conta com a participação da PF, PRF, PM, PC, Polícia Penal e Guardas Municipais da grande Vitória, tendo um longo histórico de boas investigações e importantes prisões realizadas desde sua criação.
Sem dúvida, não se trata de um trabalho fácil! Diminuir de forma efetiva a disponibilidade de armas nas mãos dos criminosos talvez seja um dos maiores desafios dos gestores da segurança pública. Trabalhar com cooperação, tecnologia e inteligência tem sido a aposta da direção da PF para atacar o problema e contribuir para um Brasil com menos armas e mais segurança para todos os brasileiros.
*Aproveito este último artigo do ano de 2023 para desejar a todos um 2024 de muita saúde, paz e segurança!