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Ao redor do mundo

A Interpol também combate a violência contra as mulheres

O assunto é tão sério e os desafios tão complexos que não se limitam a um estado ou a um país de forma isolada. Infelizmente, em pleno século XXI, a violência de gênero ainda é uma realidade global

Publicado em 13 de Dezembro de 2024 às 22:30

Públicado em 

13 dez 2024 às 22:30
Eugênio Ricas

Colunista

Eugênio Ricas

eugenioricas@hotmail.com

Durante o período em que me sentei na honrosa (e complexa!) cadeira do secretário de Estado da Segurança Pública do Espírito Santo pude perceber que um dos maiores desafios da área é o combate à violência contra as mulheres. Por inúmeros motivos, seja por questões culturais, seja em razão das características do tipo do crime (que na maior parte das vezes acontece no interior dos lares), diminuir os índices de violência contra as mulheres demanda um trabalho hercúleo e integrado por inúmeras áreas da gestão pública.
O assunto é tão sério e os desafios tão complexos que não se limitam a um estado ou a um país de forma isolada. Infelizmente, em pleno século XXI, a violência de gênero ainda é uma realidade global, que atinge indistintamente mulheres nos cinco continentes do planeta.
Atenta à essa realidade, a Interpol (maior organização internacional do mundo) lançou, em maio de 2023, a campanha "Identify me" (Me identifique, em tradução livre), que tem como objetivo identificar 46 mulheres que foram mortas e que tiveram seus corpos encontrados na França, Itália, Espanha, Holanda, Bélgica e Alemanha, entre os anos de 1976 e 2019.
Apesar das investigações realizadas, as vítimas nunca foram identificadas e acredita-se que algumas delas podem ter nascido em países diversos de onde seus corpos foram encontrados.
Uma difusão preta (a chamada black notice) foi emitida para cada um dos corpos e enviada a cada um dos 196 países membros da Interpol, a fim de viabilizar a identificação das vítimas. Além disso, foram feitas divulgações públicas, de modo que as pessoas que tomem conhecimento ou que tenham perdido alguma parente ou conhecida com características semelhantes às vítimas possam participar e contribuir para a identificação dessas mulheres.
Além disso, buscando aumentar a probabilidade de sucesso, foram realizadas reconstruções forenses dos rostos das vítimas, de modo que eventual testemunha possa identificar com maior segurança alguma das mulheres até então não identificadas.
Como resultado da campanha, uma das vítimas já foi reconhecida. Rita Roberts, uma mulher britânica de 31 anos, foi identificada 31 anos após ter sido assassinada na Bélgica (feito que só foi possível graças à campanha idealizada e conduzida pela Interpol).
Obviamente, a campanha não tem o objetivo, nem o alcance de acabar com a violência contra as mulheres, tarefa que cabe à segurança pública de cada um dos países e que depende, invariavelmente, de uma mudança de postura por parte dos agressores (na sua maioria, homens).
Violência doméstica; violência contra a mulher
Violência doméstica; violência contra a mulher Crédito: Arte/Geraldo Neto
A campanha, no entanto, joga luz sobre um desafio global e evidencia um dos mais poderosos recursos da Interpol, uma rede que conecta de forma instantânea as polícias de 196 países ao redor do mundo. De forma brevíssima, uma vez que o assunto merece um outro artigo, vale ainda mencionar as difusões vermelhas (red notices) que têm conseguido colocar atrás das grades criminosos foragidos (inclusive condenados por feminicídios) independentemente do país em que se encontrem.
Para mim, que sempre entendi o combate à violência contra a mulher como uma prioridade da segurança pública, foi uma grande satisfação me inteirar um pouco mais sobre a campanha "Identify me". Não tenho dúvidas de que muitas ações globais têm verdadeiro potencial de melhorar a vida das pessoas regionalmente. Essa é a missão da Interpol. Conectando as polícias ao redor do globo, vamos seguir trabalhando para a construção de um mundo cada vez mais seguro.
*Para mais informações sobre a campanha acesse: https://www.interpol.int/en/What-you-can-do/Identify-Me

Eugênio Ricas

É superintendente regional da Polícia Federal no Espírito Santo, ex-secretário da Justiça e ex-secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo, mestre em Gestão Pública pela Ufes

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